Um esquema de desvio de recursos públicos destinados à saúde levou à prisão de um dentista e ao monitoramento eletrônico de uma médica, ambos na Bahia. A ação policial, denominada Operação USG, foi desencadeada simultaneamente nos estados da Bahia e do Piauí, na última terça-feira, com o objetivo de desmantelar uma organização criminosa responsável por fraudes milionárias.
No Piauí, as autoridades concentraram suas ações nas cidades de Corrente e Bom Jesus. Em Corrente, o dentista e a médica foram alvos de mandados de prisão e de busca e apreensão. Já em Bom Jesus, um médico e uma secretária também foram detidos, ampliando o alcance da operação.
Os quatro indivíduos presos no Piauí são suspeitos de envolvimento no desvio de aproximadamente R$ 12 milhões, provenientes de recursos destinados à saúde no município de Formosa do Rio Preto, na Bahia. A investigação aponta para um esquema complexo de fraudes que lesou os cofres públicos e prejudicou o atendimento à população.
Durante as diligências em Corrente, a polícia apreendeu um notebook e um celular, materiais que podem conter informações cruciais para o avanço das investigações. A médica, por determinação judicial, passará a utilizar tornozeleira eletrônica, enquanto o dentista permanecerá detido, aguardando a audiência de custódia.
Ao todo, a Operação USG resultou na prisão de nove pessoas, abrangendo diversos perfis, como um vereador, dois ex-secretários municipais de Saúde, médicos e empresários do setor. A diversidade dos envolvidos demonstra a amplitude e a complexidade da organização criminosa.
As investigações conduzidas pela polícia da Bahia revelaram que os ex-secretários de Saúde contavam com o apoio de empresários e médicos para manipular contratos com clínicas. O esquema envolvia o superfaturamento de serviços médicos, muitos dos quais sequer eram realizados, gerando um prejuízo significativo para a população.
Entre as irregularidades detectadas, destacam-se o lançamento de exames incompatíveis com a realidade do município, a criação de plantões fictícios, a elaboração de listas de pacientes com dados inconsistentes e a emissão de notas fiscais fraudulentas para mascarar atendimentos inexistentes. A Polícia Civil da Bahia continua investigando o caso para identificar todos os envolvidos e responsabilizá-los pelos crimes cometidos.
Fonte: g1.globo.com