O Piauí enfrenta um déficit de R$ 300 milhões nas contas da previdência estadual, conforme dados da Fundação Piauí Previdência (PiauíPrev). Essa disparidade entre arrecadação e gastos com aposentadorias e pensões tem gerado um impacto financeiro significativo, que já alcançava R$ 25 milhões em setembro de 2025.
déficit: cenário e impactos
Atualmente, o estado conta com 44 mil inativos, incluindo homens e mulheres que recebem aposentadorias e pensões. Esses cidadãos dependem diretamente dos repasses, que exigem um esforço financeiro considerável do Poder Executivo.

Em entrevista à TV Clube, o presidente da Piauí Previdência, Flávio Chaib, destacou que o saldo negativo anterior era de aproximadamente R$ 1,6 bilhão. O principal desafio, segundo ele, é equilibrar as despesas com a arrecadação. Apesar da diminuição do déficit, os números permanecem alarmantes.
“Vale destacar que além do déficit financeiro, existe também o déficit atuarial. É uma projeção futura dos ativos e inativos que nós vamos receber e pagar. O nosso grande desafio é equilibrar receitas e despesas, melhorando a arrecadação por meio das contribuições”, afirmou Chaib.

Isac Vilarinho, presidente do Sindicato dos Policiais Civis de Carreira do Piauí (Sinpolpi), atribui o déficit à falta de repasses do Estado entre 1988 e 2004, o que agora gera ônus para os servidores.
“O estado alega um déficit atuarial colocando todo o ônus da carga para o servidor, quando o próprio estado não cumpriu com a sua obrigação constitucional. Não pode colocar o peso de um rombo atual para o servidor do estado”, criticou Vilarinho.
Modelo preocupante
Um estudo da Secretaria de Planejamento (Seplan) indica que a população do Piauí deve atingir o pico em 2036, começando a encolher no ano seguinte. Em 2070, a maioria da população terá entre 60 e 74 anos, o que exigirá um novo cálculo sobre o impacto das despesas previdenciárias nas próximas décadas.
“Não há motivo de preocupação. Estamos com um índice de situação previdenciária B. A previdência sempre é uma preocupação, mas comparativamente a outros estados, estamos em uma situação equilibrada”, afirmou Flávio Chaib.
Estratégia para sustentabilidade
A gestão financeira do Estado busca alternativas para evitar o colapso do sistema previdenciário e garantir o pagamento aos aposentados. O secretário de Fazenda do Piauí, Emílio Júnior, ressaltou que o governador está ciente da situação e tem buscado diferentes fontes de recursos.
“O governador tem ciência e tem tentado várias alternativas para que a previdência possa trabalhar com outras fontes de recursos, garantindo que aqueles que se aposentam recebam seus benefícios”, concluiu Emílio Júnior.
O Piauí enfrenta um desafio significativo para garantir a sustentabilidade de sua previdência, e as ações tomadas nos próximos anos serão cruciais para a saúde financeira do estado.