O presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Ricardo Alban, manifestou preocupação em Brasília nesta terça-feira, 3, ao afirmar que a desoneração da folha de pagamentos não representa uma solução eficaz para os desafios da Previdência Social. A declaração foi feita após um encontro da Coalizão das Frentes Parlamentares do Setor Produtivo, onde a medida foi discutida como possível compensação para empregadores diante da proposta de encerrar a escala de trabalho 6×1.
Para Alban, a Previdência enfrenta um déficit estrutural que vai além da simples desoneração. ‘Se vamos desonerar a folha, como é que se resolve o problema da Previdência?’, questionou o líder industrial. Ele enfatizou que o foco deve ser na produtividade, e não apenas em ajustes pontuais que não atacam a raiz da questão fiscal, afirmando: ‘Nós temos contas a pagar. O problema não é esse. O problema passa por um conceito de produtividade’.
O presidente da CNI também alertou para os riscos do fim da escala 6×1 de trabalho, que, segundo ele, pode agravar a já complexa situação fiscal do país. ‘Em 2027, teremos que enfrentar uma situação fiscal séria. Como vamos agora complicar mais essa situação com uma discussão que não é adequada para este momento?’, indagou Alban, sublinhando a necessidade de cautela ao abordar reformas com impacto financeiro significativo.
Alban criticou a ‘discussão açodada’ em torno de propostas que exigem análise mais aprofundada, posicionando-se contra a transferência de responsabilidade aos congressistas. ‘Não podemos querer que os congressistas assumam a responsabilidade motivados por situações eleitorais que fogem à racionalidade’, declarou, apelando por decisões embasadas em dados técnicos e não em interesses políticos imediatos.
As ponderações do presidente da CNI reforçam a complexidade do debate sobre a reforma da Previdência e a legislação trabalhista no Congresso Nacional, indicando que as soluções propostas precisam ir além de medidas paliativas para garantir a sustentabilidade fiscal do país a longo prazo.
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Fonte: https://www.infomoney.com.br