Francisco das Chagas Chaves da Silva, conhecido como Chico Trader, negou estar foragido da polícia em um vídeo divulgado antes de sua prisão. Ele afirmou que não havia mandado de prisão contra ele e se manifestou sobre um inquérito que o aponta como responsável por um esquema de falsas operações na Bolsa de Valores, que teria movimentado mais de R$ 600 milhões.
O advogado de defesa, Samuel Castelo Branco, esclareceu que a gravação foi feita antes da apresentação de Chico à polícia, mas ganhou repercussão apenas nesta terça-feira (28). “Ele gravou antes de se apresentar. Foi uma decisão dele essa apresentação”, comentou o advogado.
Movimentação financeira e alegações de proteção
No vídeo, Chico Trader negou ter fugido e explicou que deixou sua cidade por medo de represálias e ameaças que recebeu. Ele relatou que, no início da apuração, colaborou remotamente com as autoridades.
“Eu só realmente saí da cidade onde eu morava por causa das represálias e para me proteger das ameaças. No início da apuração, prestei depoimento online ao delegado”, afirmou.
Chico revelou que a situação se agravou ao saber da existência de mandados de prisão contra ele e sua namorada, Kayra, além de outros mandados relacionados a pessoas da empresa Extreme.
Inquérito e responsabilidades
Durante a investigação, a polícia não conseguiu localizar Chico Trader, que foi visto pela última vez em Ciudad del Este, no Paraguai, no início de 2026. Ele assumiu a responsabilidade total pela empresa, afirmando ser o único responsável pela operação e gestão.
“Eu que operava, eu que fazia a gestão, então toda a responsabilidade sobre a empresa é minha”, declarou.
Operação Extrema Confiança
A Operação Extrema Confiança investiga um grupo suspeito de atrair investidores com promessas de altos lucros por meio de supostas operações na Bolsa de Valores. Chico começou a atuar no mercado financeiro em 2017 e, após uma parceria que resultou em prejuízos superiores a R$ 100 mil, fundou a empresa Xtreme Trade.
As investigações indicam que, em 2023, ele se tornou o único sócio-administrador da empresa e intensificou a captação de recursos. A polícia afirma que Chico recebia investimentos em dinheiro, transferências, joias e veículos, dificultando a mensuração exata dos prejuízos.
Entre cerca de 100 vítimas ouvidas, os prejuízos individuais variam entre R$ 200 mil e R$ 400 mil.
Desdobramentos da investigação
Após o desaparecimento de Chico, centenas de investidores procuraram a polícia, levando à ampliação das investigações em parceria com o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco). Na segunda fase da operação, deflagrada em junho de 2026, mandados de prisão foram expedidos contra integrantes do grupo, incluindo Chico e Kayra.
Chico se apresentou às autoridades, enquanto Kayra continua sendo procurada. A Polícia Civil informou que as investigações seguem em andamento, com foco na localização da suspeita e na conclusão do inquérito, que será encaminhado ao Ministério Público.
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Fonte: portalclubenews.com