A crença popular de que “quanto mais exames, melhor” para a saúde nem sempre se sustenta na medicina moderna. Pacientes frequentemente buscam check-ups completos, com uma extensa lista de testes, na esperança de detectar doenças precocemente. No entanto, essa abordagem pode ser ineficaz e, em alguns casos, prejudicial.
A realização excessiva de exames pode levar a resultados enganosos e desviar a atenção do que realmente importa para a saúde do indivíduo. Assim como na manutenção de um carro, onde a revisão é baseada no uso e nos sinais do veículo, o corpo humano requer uma abordagem semelhante, com exames justificados por razões específicas.
A ideia de que todos devem realizar os mesmos exames anualmente carece de base científica. Organizações de saúde globais concordam que um exame só se justifica quando há uma razão válida, baseada na idade, fatores de risco e evidências de benefícios reais.
Exames indiscriminados podem gerar resultados falso-positivos, causando ansiedade, procedimentos invasivos desnecessários e custos adicionais. O rastreamento de doenças em pessoas sem sintomas só é útil quando a doença é comum, representa um risco significativo e possui tratamento eficaz.
Painéis de marcadores tumorais, por exemplo, frequentemente vendidos como ferramentas de diagnóstico precoce do câncer, podem encontrar alterações que não indicam doença em pessoas saudáveis, levando a investigações e preocupações desnecessárias.
O verdadeiro check-up é uma consulta médica individualizada, que começa com uma conversa detalhada sobre histórico familiar, hábitos e estilo de vida do paciente. A partir daí, o médico define um conjunto de avaliações essenciais, como aferição da pressão arterial, medição da glicemia e do colesterol, cálculo do risco cardiovascular, exames ginecológicos e urológicos apropriados para a idade, verificação da vacinação, avaliação do peso, condicionamento físico e sono. Essas medidas simples têm um impacto significativo na qualidade e duração da vida.
Ressonâncias e tomografias sem indicação, ultrassom de tireoide em pessoas sem nódulos palpáveis, ecocardiograma em indivíduos sem doença cardiovascular e marcadores tumorais em pacientes assintomáticos são exemplos de exames desnecessários. Eles não melhoram a saúde de quem está bem, expõem a radiação desnecessária e podem identificar achados irrelevantes, causando preocupações indevidas.
A prevenção de doenças envolve o cuidado proativo com a saúde, através de escolhas diárias saudáveis, acompanhamento médico regular, exames bem indicados e intervenções quando realmente necessárias. A medicina baseada em evidências prioriza a identificação de riscos reais, a orientação para mudanças de hábitos e o tratamento adequado.
O melhor check-up é aquele que considera a individualidade do paciente, sua idade, histórico, riscos e prioridades. Um exame solicitado no momento certo pode salvar vidas, enquanto uma bateria de exames sem sentido pode prejudicá-la. A saúde não se mede pela quantidade de exames, mas pela qualidade das decisões tomadas em relação aos cuidados. Decisões de qualidade são resultado de cuidado, diálogo e responsabilidade.
Fonte: portalclubenews.com