O cenário do futebol paulista vive a expectativa de uma mudança que pode injetar novas receitas e alinhar São Paulo a outras grandes cidades. A liberação da venda de bebidas alcoólicas nos estádios é um tema que se arrasta há anos, considerado um contrassenso por clubes, federações e administradores de arenas, já que outros eventos esportivos e de entretenimento não enfrentam a mesma restrição. Agora, um novo projeto de lei na Câmara Municipal reacende a discussão.
Proposta na Câmara Municipal
De autoria da vereadora Amanda Vettorazzo (União Brasil), a proposta busca liberar a comercialização de bebidas alcoólicas dentro dos estádios. O texto permite a venda em bares, camarotes e por ambulantes licenciados. Para garantir a segurança, exige que as bebidas sejam vendidas apenas em embalagens plásticas ou não contundentes, proibindo vidros. Todos os pontos de venda deverão ser licenciados pela prefeitura.
Origem da Proibição e o Anacronismo
A restrição atual remonta à década de 1990, após episódios de violência, como a briga entre torcedores de Palmeiras e São Paulo em 1995, na decisão da Supercopa São Paulo de Juniores. A Lei Estadual nº 9.470, de 1996, proibiu a venda. Hoje, a situação é vista como anacrônica. Marcelo Frazão, vice-presidente da WTorre, do Allianz Parque, criticou: “É inacreditável a gente em 2026 ter a proibição da cerveja dentro do estádio de futebol. Não faz sentido”, indicando que o tema pode ser resolvido ainda neste ano.
Avanço Também na Assembleia Legislativa
Na Alesp, um projeto de lei tramita desde 2023 para derrubar a restrição estadual. A proposta, com apoio de deputados como Delegado Olim (PP) e Itamar Borges (MDB), já tem parecer favorável na Comissão de Constituição e Justiça. O texto prevê a liberação de bebidas com até 15% de teor alcoólico, proibição em jogos de base e regras rígidas de operação. O governador Tarcísio de Freitas é favorável, o que aumenta as chances de aprovação, especialmente após o veto imposto em 2021 por João Doria. Custos adicionais de policiamento aos clubes são discutidos como medida compensatória.
Potencial Econômico e Coerência Jurídica
O impacto econômico da liberação é significativo. Estimativas apontam um aumento de cerca de 30% no faturamento em dias de jogo e a criação de empregos diretos. Para os clubes, é uma nova fonte de receita para fortalecer o matchday. O advogado Cristiano Caús, sócio do CCLA Advogados, defende que a mudança corrige uma “distorção histórica”, pois a Lei Estadual 9.470 de 1996 não reflete mais a prática de outros Estados ou a realidade atual do futebol, e que o consumo pode ser organizado e seguro.
A expectativa é grande para a definição deste debate, que promete modernizar a experiência dos torcedores e abrir novas frentes de receita para o futebol paulista.
O Altos News seguirá acompanhando os desdobramentos sobre a venda de bebidas nos estádios de São Paulo.
Fonte: https://www.infomoney.com.br