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A evolução do Carnaval em Teresina: de clubes de elite a bloquinhos populares

O Carnaval em Teresina possui uma história vibrante de mais de um século, evoluindo de celebrações restritas a elites para festas democráticas que hoje arrastam multidões. A folia na capital, que antecede a Quaresma anualmente, reflete a própria evolução da cidade, com manifestações começando no Centro. Segundo o historiador Bernardo Sá, professor da UFPI e […]

G1

O Carnaval em Teresina possui uma história vibrante de mais de um século, evoluindo de celebrações restritas a elites para festas democráticas que hoje arrastam multidões. A folia na capital, que antecede a Quaresma anualmente, reflete a própria evolução da cidade, com manifestações começando no Centro. Segundo o historiador Bernardo Sá, professor da UFPI e pesquisador da cultura popular, o panorama inicia na segunda metade do século 19, quando a Praça Saraiva foi palco dos primeiros encontros antes da organização formal.

Os primórdios nos clubes sociais e os 'assaltos'

Em 1922, o surgimento do Clube dos Diários, com sede inaugurada em 1925, marcou a organização da folia por intelectuais e juristas no Centro. Esses grupos realizavam os chamados “assaltos carnavalescos”: visitas combinadas a casas de moradores, entre 15h e 19h, onde anfitriões ofereciam licores e petiscos. À noite, a festa retornava ao Clube dos Diários ou ao popular Clube do Botafogo. Enquanto a elite celebrava em clubes como o Fanfarrões e Terpyscore Clube, o povo acompanhava o luxo dos bailes das calçadas, no que era conhecido como “Sereno”.

A era do Corso e a ascensão das escolas de samba

Além dos clubes, o desfile de foliões fantasiados, conhecido como Corso, ganhava as ruas. Inicialmente com carroças enfeitadas e, a partir da década de 1920, com carros que lançavam confetes e lança-perfume. O percurso ia da Praça Rio Branco até a Praça João Luís Ferreira. Um destaque peculiar era o “Caminhão das Raparigas”, que incluía prostitutas da Rua Paissandu, um raro momento de reconhecimento público. Embora o Corso tenha desaparecido na maioria das capitais na década de 1950, em Teresina ele persistiu até os anos 60, quando as escolas de samba se consolidaram como principal atração. Em 1975, o Carnaval atingiu seu auge com um recorde de 13 escolas concorrentes, eternizando figuras como Bernardo Cruz e Nicinha, a “eterna Rainha dos Carnavais”.

O declínio das escolas e o surgimento dos blocos

Entre os anos 80 e 90, a interrupção do repasse financeiro da Prefeitura de Teresina enfraqueceu as escolas de samba. Para preencher o vácuo, surgiram dois formatos de blocos. Havia os “blocos de sociedade”, organizados com fantasias luxuosas e ensaios, e os “blocos de sujo”, que, remetendo ao antigo entrudo, apresentavam fantasias improvisadas e brincadeiras irreverentes, precursoras do atual “mela-mela”. Blocos como Dou-lhe Três e Paçoca começaram como “sujos” e, posteriormente, evoluíram para o formato de sociedade.

A folia contemporânea e a pluralidade

Nas últimas duas décadas, os bloquinhos se mantiveram como o coração do Carnaval teresinense, enquanto o Corso, após um processo de reavivamento e esvaziamento, não será realizado pelo segundo ano consecutivo em 2026. Grupos como Capote da Madrugada, Sanatório Geral e Fuleiras continuam a animar a cidade, marcados pela sátira política e celebração da diversidade. Conforme observa Bernardo Sá, o Carnaval de Teresina é uma festa “plural e consequente de diversas manifestações e festas culturais que se fundiram ao longo do tempo”, agradando a todos os foliões.

Para ficar por dentro das próximas celebrações e eventos culturais de Teresina, continue acompanhando o Altos News.

Fonte: https://g1.globo.com

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