Após uma espera de até 20 dias, cerca de 200 caminhoneiros autônomos começaram a deixar o Distrito Industrial Sul, em Teresina, nesta terça-feira (2). A liberação das cargas foi possível após a emissão do Código Identificador da Operação de Transporte (CIOT), documento essencial para o transporte de cargas, que estava em atraso.
Retomada das operações no Distrito Industrial
De acordo com o Sindicato dos Transportadores de Cargas e Logística do Estado do Piauí (Sindicapi), a normalização começou nas primeiras horas do dia, com a adoção de uma nova plataforma para a emissão do CIOT. O presidente do sindicato, Humberto Lopes de Souza, destacou que a situação no local melhorou significativamente. “O clima já estava bem mais tranquilo. A empresa está conseguindo emitir o CIOT em algumas situações e vai entrar em operação com outra empresa para agilizar o processo”, afirmou.
Problemas com a emissão do CIOT
O impasse teve início com a obrigatoriedade da emissão do CIOT, que entrou em vigor em 24 de maio de 2026. Segundo o Sindicapi, as plataformas disponíveis não conseguiram atender ao volume de operações, resultando em um grande acúmulo de caminhões. “Houve um grande acúmulo porque as plataformas não deram conta da demanda. Não é um problema apenas do Piauí, mas de várias transportadoras do Brasil”, explicou o presidente.
Condições enfrentadas pelos caminhoneiros
Caminhoneiros que estavam no local relataram dificuldades significativas durante a espera, incluindo a falta de alimentação, higiene e espaços adequados para descanso. Muitos deles passaram mais de dez dias parados, com alguns relatos de espera chegando a 20 dias.
Nota da ANTT sobre a situação
A Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) informou que a exigência do CIOT foi implementada em 24 de maio de 2026 e que as falhas iniciais já foram corrigidas. A agência destacou que cerca de 1 milhão de CIOTs foram emitidos desde o início da obrigatoriedade, com mais de 80% das operações ocorrendo normalmente. Além disso, um sistema de contingência está disponível para evitar paralisações no transporte, permitindo que o transportador registre a operação localmente e encaminhe os dados posteriormente.
A ANTT reafirmou que a exigência do CIOT não está relacionada a paralisações anteriores à sua implementação e que todas as obrigações legais permanecem válidas, mesmo em casos de contingência.
Com a normalização da situação, espera-se que o escoamento de cargas em Teresina retorne à sua rotina habitual, beneficiando tanto os caminhoneiros quanto o setor logístico da região.