A montadora chinesa BYD consolidou sua liderança no mercado global de veículos de nova energia (NEVs) ao registrar um recorde de 4,149 milhões de unidades comercializadas em 2025. Esse desempenho expressivo, que coloca a empresa à frente de gigantes como Tesla, Geely e Volkswagen juntas, destaca a rápida transformação do setor automotivo e o impacto da marca chinesa em nível global e local, inclusive no Brasil.
Liderança no mercado mundial de eletrificados
Os números impressionantes da BYD para 2025 – ano em que, há quase quatro anos, deixou de fabricar carros a combustão – revelam uma supremacia clara. A empresa superou as vendas combinadas da Tesla (1,6 milhão), Geely (1,2 milhão) e Volkswagen (983 mil veículos) no ano passado. Os veículos de nova energia incluem modelos totalmente elétricos (BEV) e híbridos plug-in (PHEV), que utilizam fontes de energia alternativas aos combustíveis fósseis, visando a redução de emissões.
Com a inclusão das outras marcas do grupo, como Denza (recentemente lançada no Brasil), Fangchengbao e Yangwang, o total de carros eletrificados comercializados globalmente no ano passado subiu para 4,6 milhões de unidades. Na China, o grupo vendeu 4,1 milhões de unidades no passado, superando largamente fabricantes tradicionais como Volkswagen (1,866 milhão) e Toyota (1,560 milhão) no país asiático.
Cenário global e desafios da internacionalização
A China, maior mercado mundial, foi responsável por quase dois terços das vendas globais de elétricos em 2024. Contudo, após 15 anos de subsídios, o governo chinês freia os incentivos, gerando uma guerra de preços e um processo de consolidação esperado por especialistas, como Antonio Jorge Martins, coordenador dos cursos automotivos da FGV.
Apesar do cenário de produção excedente que pode beneficiar outros países, a internacionalização enfrenta barreiras significativas. Tarifas contra veículos elétricos e híbridos chineses aumentaram entre 2024 e 2025. Os Estados Unidos impuseram 100% de tarifas em 2024, a União Europeia confirmou adicionais de até 35,3% (totalizando mais de 45%), e o Canadá aplicou 100% desde outubro de 2024, inviabilizando a importação.
Impacto e produção no Brasil
No Brasil, o governo retomou a cobrança progressiva de impostos de importação para veículos elétricos e híbridos, com alíquotas que chegarão a 35%, visando incentivar a produção local. Em resposta, a BYD começou sua produção em Camaçari no ano passado, com um investimento de R$ 5,5 bilhões. A fábrica já produz o hatch 100% elétrico Dolphin Mini, o SUV híbrido plug-in Song Pro e o sedan híbrido plug-in King.
Outras montadoras também investem no país, como a chinesa GWM, que já produz seus veículos eletrificados em São Paulo, e a GM, que iniciou a montagem do Spark – um veículo originalmente chinês – em Horizonte, Ceará.
Em 2025, a BYD registrou um crescimento superior a 47% no Brasil, com 111.683 automóveis emplacados. A marca encerrou 2025 na quinta posição do ranking de vendas varejo, com 9,57% de market share, superando montadoras tradicionais como Toyota e Honda.
Com um mercado em constante evolução e desafios globais, a performance da BYD reforça a importância estratégica do Brasil como polo produtor e consumidor de veículos eletrificados. Acompanhe as próximas movimentações desse setor dinâmico no Altos News.
Fonte: https://www.infomoney.com.br