O delegado Genival Vilela, do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), informou que “não foi possível uma conversa” com os dois suspeitos de assassinar brutalmente o paciente Pedro Araujo da Silva, de 29 anos, dentro do Hospital Areolino de Abreu, na zona Norte de Teresina. Pedro foi encontrado morto na madrugada da quinta-feira (26), após ter sido amarrado, sufocado com uma sacola e ter o corpo parcialmente queimado no interior de um banheiro da unidade.
Os dois homens, que também eram pacientes do hospital, foram encaminhados à Central de Flagrantes, onde permaneceram em locais separados devido à sua condição. Nesta sexta-feira (27), eles serão submetidos a uma audiência de custódia.
A Justiça decidirá sobre seu futuro, que pode incluir o retorno ao Hospital Areolino de Abreu, o encaminhamento a outra instituição ou, possivelmente, uma penitenciária com estrutura adequada para acolher indivíduos com transtornos mentais. O delegado Vilela enfatizou que os suspeitos “não podem ficar com presos comuns”.
Genival Vilela ressaltou que ambos os suspeitos apresentam diagnósticos de saúde mental, um com esquizofrenia e outro com transtorno bipolar. Eles estavam internados por iniciativa familiar, sem determinação judicial prévia. A Justiça deverá aplicar medidas de segurança, considerando que eles não teriam condições de conviver em sociedade nem em uma unidade psiquiátrica comum após o ocorrido.
A investigação segue para determinar se houve participação de outras pessoas ou se os suspeitos possuem histórico criminal, informações que ainda não foram confirmadas pelo DHPP. Vilela reiterou que, apesar da condição psiquiátrica, os dois responderão pelo crime, mas sob um regime diferenciado devido aos transtornos mentais.
O caso chocou a comunidade e reacendeu debates sobre a segurança e estrutura do Hospital Areolino de Abreu. O Sindicato dos Médicos do Estado do Piauí (Simepi) manifestou-se, criticando a precariedade da unidade e a desorganização na reestruturação da rede de psiquiatria estadual.
O vice-presidente do Simepi, Samuel Rêgo, destacou a confusão na separação entre pacientes oriundos do sistema penitenciário e os admitidos diretamente pelo hospital, um dos problemas identificados na gestão da unidade.
A família de Pedro Araujo da Silva expressou profunda dor e revolta. A mãe da vítima, Maria da Cruz Araújo, relatou que Pedro havia recebido alta na quarta-feira (25), mas ela só iria buscá-lo na quinta-feira (26), dia em que ele foi encontrado sem vida. A irmã, Denise Araújo, classificou o hospital como um “matadouro”, mencionando que o irmão já vinha sofrendo agressões no local.
A comunidade aguarda por mais detalhes da investigação e medidas que garantam a segurança dos pacientes em unidades de saúde mental.
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Fonte: https://portalclubenews.com