PUBLICIDADE

Entrave em Acordo Mercosul-UE: Tempo Extra para empresas brasileiras se prepararem

O governo brasileiro demonstra urgência para a ratificação do Acordo entre União Europeia e Mercosul, enviando o texto ao Congresso com a esperança de avanço ainda neste semestre. No entanto, o cenário europeu impõe um ritmo diferente. A decisão do Parlamento Europeu de solicitar um parecer jurídico sobre a conformidade do tratado adicionou uma etapa […]

Assinatura UE-Mercosul (Foto: REUTERS/Cesar Olmedo)

O governo brasileiro demonstra urgência para a ratificação do Acordo entre União Europeia e Mercosul, enviando o texto ao Congresso com a esperança de avanço ainda neste semestre. No entanto, o cenário europeu impõe um ritmo diferente. A decisão do Parlamento Europeu de solicitar um parecer jurídico sobre a conformidade do tratado adicionou uma etapa que pode atrasar a aprovação em meses, ou até anos. Para o setor produtivo nacional, esse adiamento não significa tempo perdido, mas sim uma janela de preparação estratégica, conforme avalia Waldir Bertolino, vice-presidente de vendas e country manager da Infor Brasil e South Latam.

Oportunidade para Amadurecer o Mercado Interno

Bertolino alerta que o acordo funcionará como um “teste de maturidade” para as empresas nacionais. A abertura do mercado e a intensificação da concorrência farão com que a ineficiência, muitas vezes vista como um problema interno, impacte diretamente a competitividade e as margens de lucro. Ele pontua que as fragilidades expostas vão além dos gargalos já conhecidos de infraestrutura e tributação.

A Logística como Ponto Chave da Competitividade

Um dos pilares cruciais para a competitividade das empresas brasileiras no bloco europeu é a logística. Tradicionalmente encarada como centro de custo e repleta de processos manuais, essa área ascendeu à categoria de diferencial estratégico, especialmente após a pandemia.

A digitalização é vista como fundamental nesse processo, oferecendo visibilidade de ponta a ponta e eliminando tarefas repetitivas. “O acordo incentiva a modernização, direcionando investimentos para tecnologia, e não apenas para ativos como caminhões e galpões”, explica o executivo. Para quem busca competir globalmente, o foco está em custo competitivo, alto nível de serviço e previsibilidade.

Desafios Invisíveis: Dados e Capacitação

Além da infraestrutura e burocracia, outros obstáculos silenciosos surgem no caminho da internacionalização: a qualidade dos dados corporativos e a capacitação das lideranças.

Bertolino enfatiza que dados inconsistentes e não integrados limitam a automação e qualquer tentativa de ganho de eficiência. Ele aponta que a simples adoção de novas ferramentas não é suficiente; é imperativo preparar as equipes para utilizá-las de forma estratégica. O risco é ter sistemas modernos sem o impacto prático desejado e, mais adiante, a ausência de capital humano qualificado quando necessário.

O acordo levou 26 anos para ser negociado, e muitas empresas o viram como algo distante. Agora, com a nova expectativa de espera, a perspectiva muda. Ganhos de eficiência podem ser vistos entre 12 a 18 meses com foco e tecnologia, mas atingir um padrão global consistente exige uma jornada de médio a longo prazo e uma mudança cultural.

“Para quem está preparado, o acordo amplia oportunidades; para quem não está, aumenta o risco”, resume Bertolino. Com a União Europeia definindo o ritmo da aprovação, as empresas brasileiras receberam um tempo valioso – talvez o último – para se prepararem e garantirem sua competitividade.

Continue acompanhando os desdobramentos deste acordo crucial para o futuro das empresas locais.

Fonte: https://www.infomoney.com.br

Leia mais

PUBLICIDADE