A prisão de Daniel Vorcaro, um dos principais acionistas da Sociedade Anônima de Futebol (SAF) do Atlético Mineiro, levantou questões sobre possíveis repercussões na estrutura societária e no ambiente institucional do clube. Vorcaro detém 26,9% das ações da Galo Holding, empresa criada para gerir o futebol do time.
O Atlético Mineiro comunicou a destituição de Vorcaro do Conselho de Administração, mas a discussão sobre a origem do dinheiro investido e as consequências para o clube permanecem.
Vorcaro foi detido pela Polícia Federal sob suspeita de envolvimento na emissão de títulos de crédito falsos por instituições financeiras. Ele é o segundo maior acionista da Galo Holding, atrás da família Menin, que possui 41,8%.
O aporte inicial de quase R$ 300 milhões feito por Vorcaro para adquirir sua participação na SAF, através do Fundo Galo Forte, está sob suspeita de possível lavagem de dinheiro e ocultação de patrimônio. A prisão ocorreu um dia após o Banco Central decretar a liquidação extrajudicial do Banco Master, do qual o empresário era um dos donos, interrompendo as negociações de venda da instituição.
O Atlético Mineiro não é alvo das investigações e não figura como participante de qualquer irregularidade apontada pelo Ministério Público.
Especialistas avaliam como a SAF do Atlético Mineiro pode ser impactada e quais ações devem ser tomadas pelo clube e pelos demais investidores.
Segundo Talita Garcez, a repercussão tende a ser mais institucional e de imagem do que jurídica. Ela afirma que a prisão de um acionista não gera responsabilização automática para o Atlético SAF nem para os demais investidores. Os impactos, na prática, tendem a ser reputacionais, como desgaste de imagem e questionamentos de patrocinadores. Ela ressalta que se o problema for apenas pessoal do acionista, não há previsão de penalidade esportiva ao clube.
A especialista recomenda que o clube reforce mecanismos internos e rotinas de checagem sobre seus parceiros. Sugere a adoção de uma política permanente de “due diligence” sobre seus investidores e parceiros, realizando uma checagem prévia de integridade, capacidade financeira e histórico reputacional desde a entrada do acionista.
Garcez também aponta que o Atlético pode revisar processos internos, reforçar controles financeiros e afastar o acionista de eventuais funções estratégicas para evitar conflitos.
Cristiano Caús, também destaca que não há efeitos imediatos para a SAF. Ele avalia que a prisão de um acionista não gera efeitos automáticos sobre o Atlético ou sobre os demais investidores, mas pode trazer consequências indiretas significativas, sobretudo se houver suspeita de origem ilícita dos recursos aportados na SAF.
Entre os riscos, ele cita repercussões internas, como bloqueio judicial das ações do acionista investigado, impactos reputacionais, pressão por reforço de governança e eventual necessidade de substituição de funções caso ele ocupe cargo estratégico. A dinâmica societária também dependerá do conteúdo do Estatuto Social do Atlético e dos eventuais acordos de acionistas.
O advogado reforça que o clube deve seguir protocolos rígidos de governança, reforçando mecanismos de compliance e realizando investigação interna independente, revisando “due diligence” para certificar a origem dos recursos utilizados nos aportes e documentando a rastreabilidade dos investimentos.
Ele observa que a posição ocupada nos conselhos pode ficar vaga ou ser substituída, dependendo do que está previsto no Acordo de Acionistas.
Caús ressalta que não há risco esportivo imediato. Ele explica que FIFA e CBF só punem instituições esportivas quando há nexo entre o ilícito e a atividade desportiva, e a prisão isolada de um acionista não acarreta punição esportiva ao Atlético.
Fonte: www.infomoney.com.br