A Justiça do Ceará decidiu arquivar a investigação contra João Munhoz Neto, de 34 anos, suspeito de feminicídio e indução ao suicídio na morte da estudante de Direito Isabelle Caracristi, de 22 anos. A decisão foi tomada na terça-feira, 20 de setembro, pelo juiz Wyrllenson Flavio Barbosa Soares, da 5ª Vara do Júri de Fortaleza, e divulgada nesta quinta-feira, 22 de setembro.
O magistrado acolheu o pedido do Ministério Público do Ceará (MPCE), que apontou a falta de elementos suficientes para sustentar as acusações de crimes dolosos contra a vida. Apesar do arquivamento, João Munhoz Neto ainda enfrenta investigações por suspeitas de violência psicológica e fraude processual, crimes pelos quais já foi indiciado pela Polícia Civil.
Decisão judicial e fundamentos
Na decisão, o juiz afirmou que as provas coletadas durante o inquérito não ofereciam base suficiente para a continuidade da investigação criminal por feminicídio ou indução ao suicídio. “O conjunto probatório carreado aos autos demonstra a ausência de justa causa para a deflagração de persecução penal por crime doloso contra a vida”, destacou o magistrado.
O MPCE já havia solicitado o arquivamento parcial da investigação após a análise dos resultados obtidos pela Polícia Civil e pela Perícia Forense do Estado do Ceará (Pefoce). Os laudos periciais indicaram que a morte de Isabelle ocorreu após uma queda voluntária do edifício onde estava.
Desdobramentos da investigação
Embora as suspeitas de feminicídio tenham sido arquivadas, o juiz determinou que os autos fossem transferidos para um dos Juizados de Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher de Fortaleza. Isso se deve ao fato de que João Munhoz Neto permanece sob investigação por violência psicológica e fraude processual.
De acordo com a Polícia Civil, o relacionamento entre Isabelle e João era marcado por comportamentos de manipulação e controle. Durante as investigações, foram identificadas ações posteriores à morte da estudante que fundamentaram o indiciamento por fraude processual, como a limpeza do apartamento e tentativas de venda do imóvel.
Contexto da morte de Isabelle Caracristi
Isabelle foi encontrada morta em 13 de setembro de 2026, no pátio de um condomínio localizado no bairro Aldeota, em Fortaleza. A jovem havia ido ao apartamento do namorado, no 15º andar do edifício. Imagens de câmeras de segurança mostraram sua chegada ao prédio no final da tarde, e João deixou o local por volta das 18h31. A perícia determinou que a morte ocorreu por volta das 20h40, e João retornou ao edifício às 22h48, quando a Perícia Forense já estava presente.
A morte de Isabelle gerou grande repercussão, especialmente após sua mãe, Isorlanda Caracristi, divulgar relatos sobre o relacionamento da filha e exigir esclarecimentos sobre as circunstâncias do ocorrido. A investigação mobilizou equipes da Polícia Civil e da Delegacia de Defesa da Mulher, que ouviram 29 pessoas e analisaram 17 laudos periciais.
Reação da defesa e próximos passos
A defesa de João Munhoz Neto recebeu a decisão de arquivamento como uma vitória, reafirmando a inocência do cliente. A advogada Lígia Peixe declarou que a equipe continuará a trabalhar para demonstrar a inocência de João em relação às acusações que ainda estão sob análise. Por outro lado, as advogadas da família de Isabelle enfatizaram que a manifestação do MPCE destacou a prática de violência psicológica e fraude processual, que devem ser apuradas na esfera especializada.
O caso segue sob a responsabilidade da Justiça especializada em violência doméstica e familiar contra a mulher, que dará continuidade às investigações sobre as acusações remanescentes.
Fonte: noticiasaominuto.com.br