
A Polícia Federal (PF) está realizando o interrogatório do ex-banqueiro Daniel Vorcaro e de seu pai, Henrique Vorcaro, nesta quarta-feira, 30. A investigação visa esclarecer o uso de milícias digitais e grupos armados para espionar autoridades e intimidar adversários do empresário.
Os delegados apuram o vazamento de dados sigilosos obtidos por meio de invasões às redes do Ministério Público Federal (MPF), da própria PF e da Interpol. Os investigadores afirmam que o grupo hackeava sistemas para antecipar operações e proteger o dono do Banco Master.
Divisão de tarefas e agressões virtuais
A estrutura criminosa contava com duas frentes de atuação financiadas pelo empresário. O grupo conhecido como “A Turma” realizava ameaças presenciais e perseguições a jornalistas, enquanto o núcleo denominado “Os Meninos” operava ataques cibernéticos, grampos telefônicos e derrubada de perfis na internet.
Pai e filho estão em prisão preventiva desde março de 2026. A PF organizou os interrogatórios em horários separados após conceder acesso aos autos às defesas na última sexta-feira, 25.
Carta ao STF e alegações da defesa
Henrique Vorcaro enviou uma carta ao ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), negando a participação nos crimes. Ele argumentou que os repasses financeiros investigados se referem a negócios imobiliários.
“Se pagavam alguém ou se usavam esse recebimento para qualquer turma ou pessoa, eu não tenho simplesmente nada a ver com isso”, declarou o preso. Os delegados pretendem encerrar o inquérito assim que finalizarem os depoimentos da tarde.