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Câncer de estômago cresce entre adultos jovens e preocupa especialistas

Estudo revela aumento do câncer de estômago entre jovens, exigindo novas estratégias de prevenção e diagnóstico.
Câncer de estômago cresce entre adultos jovens e preocupa especialistas

O câncer de estômago, tradicionalmente associado ao envelhecimento, tem apresentado um novo perfil de pacientes. Um estudo internacional, publicado em abril na revista Cancer Biology & Medicine, revela um aumento da incidência da doença entre adultos jovens, enquanto os casos em faixas etárias mais velhas têm diminuído em diversos países.

Atualmente, essa é a quinta neoplasia mais comum no mundo, com quase 1 milhão de novos casos anualmente. Apesar dos avanços no diagnóstico e tratamento, a doença frequentemente é descoberta em estágios avançados, o que reduz as chances de cura e contribui para altas taxas de mortalidade, inclusive em nações de alta renda.

Incidência alarmante no Leste Asiático

O Leste Asiático concentra quase 54% dos cerca de 968 mil casos registrados globalmente em 2022, além de 48% das aproximadamente 660 mil mortes associadas ao tumor. Os pesquisadores alertam que a mudança no perfil etário da doença levanta preocupações sobre fatores de risco emergentes e destaca a necessidade de estratégias de prevenção e diagnóstico precoce também entre a população jovem.

Dados preocupantes e novas tendências

Os dados analisados, referentes ao período de 2003 a 2017, foram coletados do GLOBOCAN 2022, que abrange informações de 185 países. Embora a incidência geral tenha diminuído, houve um aumento em países como Nova Zelândia e África do Sul, além de regiões da Europa e das Américas. A pesquisa também aponta uma tendência de crescimento entre mulheres.

“O aumento dos casos de câncer gástrico em adultos jovens tem chamado atenção internacionalmente. Hoje sabemos que pessoas nascidas entre as décadas de 1980 e 1990 apresentam taxas significativamente maiores do que gerações anteriores”, afirma o oncologista Roberto Pestana, do Einstein Hospital Israelita.

Fatores de risco e causas

Embora essa faixa etária apresente condições como câncer gástrico difuso hereditário e síndrome de Lynch, essas explicações abrangem apenas cerca de 3% dos casos. A maioria das ocorrências é esporádica e parece estar relacionada a mudanças comportamentais, ambientais, alimentares e metabólicas.

A bactéria Helicobacter pylori permanece como o principal fator de risco conhecido, responsável por aproximadamente 90% dos casos de câncer gástrico não cárdia, que é a região próxima à transição entre esôfago e estômago. Estudos indicam que a erradicação dessa bactéria pode reduzir em 40% a 50% a incidência do tumor.

Desafios na prevenção e tratamento

O cenário atual impõe novos desafios para a prevenção, diagnóstico e tratamento. “Esses tumores de início precoce parecem ter características biológicas próprias e frequentemente apresentam comportamento mais agressivo”, destaca Pestana. Além disso, o câncer gástrico ainda é pouco suspeitado em pacientes jovens, resultando em diagnósticos em estágios avançados.

Além da H. pylori, outros fatores de risco incluem tabagismo, consumo excessivo de álcool, dietas ricas em produtos processados, obesidade e histórico familiar. A principal estratégia de prevenção continua sendo a identificação e tratamento da infecção por H. pylori. Medidas como redução do consumo de álcool, abandono do tabagismo e manutenção de hábitos alimentares saudáveis são igualmente recomendadas.

O aumento dos casos de câncer gástrico entre adultos jovens exige atenção redobrada e ações efetivas para mitigar esse cenário preocupante.

Fonte: portalclubenews.com

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