Luís Figo, ex-jogador português, exigiu a saída de Gianni Infantino da presidência da FIFA, após o fracasso de um projeto que visava transferir parte das operações comerciais da entidade para uma empresa aberta ao capital privado. As declarações foram feitas em um artigo publicado no jornal britânico Daily Mail.
Críticas à gestão de Infantino
Figo acusou Infantino de tentar implementar mudanças na administração do futebol mundial que beneficiariam a si mesmo e a pessoas próximas. Para o ex-capitão da seleção portuguesa, a permanência do dirigente é incompatível com a recuperação da credibilidade da FIFA. “Poderia escrever 10 mil palavras sobre os problemas da FIFA. Mas a solução precisa apenas de três: Infantino deve sair”, afirmou.
O projeto da FIFA Forward Enterprise
As críticas de Figo estão ligadas à proposta de criação da FIFA Forward Enterprise (FFE), que concentraria atividades comerciais relacionadas às competições organizadas pela FIFA, como direitos de transmissão, patrocínios e venda de ingressos. O plano previa a entrada de investidores externos e a venda de até 20% da empresa, com uma avaliação de cerca de US$ 20 bilhões, levantando aproximadamente US$ 4 bilhões para as 211 associações filiadas. No entanto, a proposta foi abandonada após forte resistência de confederações e dirigentes do futebol.
Falta de transparência e riscos
Figo questionou a falta de transparência na apresentação do projeto, afirmando que as federações não receberam explicações suficientes sobre os riscos envolvidos. “Se era uma ideia tão boa, por que não contar aos membros quando todos estavam reunidos antes da final da Copa do Mundo?”, indagou. O ex-jogador também criticou a possibilidade de investidores privados controlarem parte das receitas comerciais das competições, o que, segundo ele, significaria abrir mão de patrimônio pertencente ao futebol.
Reações e consequências
A FIFA Forward Enterprise enfrentou oposição de entidades como UEFA e Concacaf, que alegaram falta de consulta e garantias sobre a preservação do controle institucional das competições. A UEFA chegou a ameaçar medidas judiciais e discutir a retirada do apoio à reeleição de Infantino em 2027. A proposta gerou uma crise interna, com críticas de executivos da própria FIFA e a saída de aliados do presidente.
O futuro da FIFA e a liderança de Infantino
Apesar de Infantino ter abandonado o projeto, os questionamentos sobre sua liderança persistem. Figo, que tentou concorrer à presidência da FIFA em 2015, considera que os recentes episódios representam o ponto mais baixo que testemunhou no esporte. Ele defende que a solução para a crise passa pela mudança no comando da entidade, promovendo uma administração baseada em transparência e responsabilidade.
Com a crescente insatisfação, Inglaterra e País de Gales já retiraram apoio à candidatura de Infantino para um novo mandato.
Fonte: noticiasaominuto.com.br