Além da tradicional colonoscopia, novos exames de sangue e de fezes estão sendo recomendados para o rastreio do câncer colorretal, conforme as diretrizes atualizadas da Sociedade Americana do Câncer (ACS). A atualização, divulgada em 27 de maio, visa promover um diagnóstico mais precoce da doença, que apresenta um aumento significativo de casos globalmente.
Novas recomendações para rastreio
Publicada na revista CA: A Cancer Journal for Clinicians, a recomendação da ACS sugere que esses exames sejam realizados rotineiramente entre os 45 e 75 anos. O coloproctologista Sergio Eduardo Araujo, diretor médico da Rede Cirúrgica do Einstein Hospital Israelita, destaca que a ACS reafirma seu pioneirismo ao incluir outros testes além da colonoscopia, que é o padrão de referência no rastreio.
Importância do diagnóstico precoce
O diagnóstico antes da manifestação dos primeiros sintomas é crucial para aumentar as chances de cura do câncer de intestino. Quando a doença apresenta sintomas, como sangue nas fezes e alterações no fluxo intestinal, a probabilidade de remissão completa diminui significativamente. Araujo ressalta a necessidade de ampliar o alcance do rastreio, especialmente entre a população jovem, já que muitos casos não têm predisposição genética conhecida.
Fatores de risco e recomendações para grupos específicos
Fatores ambientais e de estilo de vida, como sobrepeso, consumo de álcool, tabagismo e alimentação inadequada, estão associados ao aumento da incidência da doença em pessoas com menos de 50 anos. Para aqueles com histórico familiar, a recomendação é iniciar o rastreio dez anos antes da idade em que um parente de primeiro grau foi diagnosticado.
Avanços no Sistema Único de Saúde
Em março, o Instituto Nacional de Câncer (Inca) anunciou um novo protocolo para o teste imunoquímico fecal (FIT), que será implementado a partir do segundo semestre de 2026. O exame, que detecta sangue oculto nas fezes, será parte da atenção primária para homens e mulheres assintomáticos entre 50 e 75 anos. O Ministério da Saúde também planeja expandir a cobertura de colonoscopia no país.
Embora a ACS e as sociedades brasileiras de Cirurgia Oncológica e de Coloproctologia recomendem o início do rastreio aos 45 anos, o SUS mantém a orientação de 50 anos, devido à falta de consenso internacional sobre os benefícios dessa antecipação. A expectativa é que 40 milhões de brasileiros sejam beneficiados com o novo protocolo, embora datas específicas de implementação ainda não tenham sido divulgadas.
O médico do Einstein enfatiza a importância de uma política pública nacional para o rastreio do câncer colorretal, destacando que a prevenção de casos assintomáticos é uma necessidade urgente.
Fonte: portalclubenews.com