Uma mulher de 62 anos, natural de Padre Marcos, no Sul do Piauí, foi resgatada em situação análoga à escravidão em um condomínio de luxo em Eusébio, na Região Metropolitana de Fortaleza (CE). O resgate, realizado na semana passada, foi divulgado nesta segunda-feira (6). Segundo a Auditoria-Fiscal do Trabalho, a mulher trabalhou por 55 anos para a mesma família sem receber salário e sem ter seus direitos trabalhistas garantidos.
trabalho: cenário e impactos
A história da mulher começou em 1971, quando a matriarca da família a levou para o Ceará com apenas 7 anos, prometendo ajudar sua família, que vivia em extrema pobreza. Após a morte de sua mãe, a menina foi entregue a uma das filhas da empregadora e permaneceu sob os cuidados da família desde então.
Durante mais de cinco décadas, a piauiense desempenhou atividades domésticas, como limpeza, preparo de refeições e cuidados com os integrantes da família. De acordo com o relatório da fiscalização, ela cuidou de três gerações e foi encontrada ainda responsável pelos cuidados dos bisnetos da primeira patroa.
A Auditoria-Fiscal do Trabalho constatou que, durante todo esse tempo, a mulher não recebeu salário e não teve seu vínculo empregatício formalizado, caracterizando sua situação como trabalho análogo à escravidão.
Acordo prevê indenização e apoio à vítima
Após o resgate, a atual empregadora firmou um acordo com o Ministério Público do Trabalho (MPT). A família deverá pagar R$ 50 mil em verbas rescisórias à trabalhadora, além de regularizar sua aposentadoria. O acordo também inclui a aquisição de uma casa mobiliada para a vítima.
A mulher continua recebendo acompanhamento de uma equipe multidisciplinar, que visa auxiliar sua adaptação à vida fora do contexto de isolamento em que viveu por décadas.