O governo brasileiro enviou um documento aos Estados Unidos contestando a proposta de tarifa de 25% sobre produtos brasileiros, sugerida pelo Representante Comercial dos EUA (USTR). O Itamaraty argumenta que essa medida prejudicaria as próprias empresas norte-americanas.
O documento, assinado pelo ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, ressalta que “amplas tarifas sobre produtos brasileiros imporiam custos reais à economia dos EUA”. O ministro destacou que 43 empresas e associações comerciais americanas pediram a exclusão de produtos de quaisquer tarifas, alertando para a ausência de substitutos nacionais e o risco de repasse de custos aos consumidores e indústrias dos EUA.
Impacto nas relações comerciais
A resposta do Brasil, enviada em 1º de outubro, enfatiza que a implementação de tarifas poderia minar o diálogo bilateral, essencial para o comércio e investimento entre os países. O governo brasileiro acredita que a proposta foi politizada por autoridades dos EUA em meio ao período eleitoral no Brasil.
Defesa do Pix e decisões do STF
O Brasil também refutou a alegação do USTR de que o sistema de pagamentos Pix discrimina empresas americanas. O documento menciona que empresas como Google Pay e Visa operam dentro do Pix, contradizendo a ideia de que o sistema é exclusivo para empresas brasileiras.
Além disso, o governo brasileiro defendeu decisões do Supremo Tribunal Federal (STF) que foram utilizadas para justificar a alegação de discriminação. O ministro Vieira destacou que a confidencialidade de processos judiciais é necessária para a integridade das investigações.
Reação a críticas sobre corrupção e desmatamento
O governo também contestou críticas do USTR relacionadas ao combate à corrupção e ao desmatamento ilegal. O documento afirma que o Brasil possui um robusto sistema legal e que os investimentos em monitoramento ambiental têm aumentado. O USTR, segundo o Brasil, reconhece que o país tem um arcabouço legal para combater o desmatamento.
Acordos comerciais e etanol
Sobre os acordos comerciais com México e Índia, o Brasil argumentou que foram negociados conforme as regras do comércio global. A tarifa sobre o etanol, segundo o governo, se aplica igualmente a todos os países sem acordos preferenciais, não discriminando os EUA.
O governo brasileiro reafirmou que a ameaça de tarifas não apenas prejudica as relações comerciais, mas também ignora a complexidade das interações econômicas entre os dois países.
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Fonte: noticiasaominuto.com.br