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Mulher trans conquista prisão domiciliar após ser mantida em presídio masculino no Piauí

Mulher trans consegue prisão domiciliar após ser mantida em presídio masculino no Piauí, destacando direitos de identidade de gênero.
Mulher trans conquista prisão domiciliar após ser mantida em presídio masculino no Piauí

Uma mulher transexual obteve o direito à prisão domiciliar após ser mantida em unidades prisionais masculinas no Piauí. A decisão foi proferida pelo Tribunal de Justiça do Piauí (TJ-PI) na terça-feira (23).

prisão: cenário e impactos

A 1ª Câmara Especializada Criminal reconheceu o direito à identidade de gênero, considerando que a permanência da detenta em presídios masculinos violava garantias fundamentais, especialmente sua integridade física e psicológica.

Inicialmente, a mulher foi encarcerada na Penitenciária de Bom Jesus e, posteriormente, transferida para a Penitenciária Regional Irmão Guido, em Teresina, ambas unidades destinadas a homens.

A Secretaria de Justiça do Estado (Sejus) informou que não possui estrutura adequada para abrigar a detenta em uma unidade feminina, alegando superlotação na Penitenciária Feminina de Teresina e falta de equipe para garantir a segurança da mulher trans.

Apesar dessas justificativas, os desembargadores consideraram ilegal a manutenção da mulher em um presídio masculino, uma vez que isso a expunha a riscos de violência e sofrimento psicológico.

Com a nova decisão, a Justiça determinou a substituição da prisão em regime fechado por prisão domiciliar, com monitoramento eletrônico, pelo período de 180 dias.

Decisão anterior e contexto legal

Em setembro de 2025, a mulher já havia conseguido uma decisão liminar que determinava sua transferência para uma unidade feminina. O desembargador Sebastião Ribeiro Martins fundamentou sua decisão nas normas do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), que asseguram às pessoas trans e travestis o direito de escolher onde cumprir pena.

Na ocasião, o desembargador destacou que a permanência da presa em uma unidade masculina aumentava o risco de violência e discriminação. A mulher havia manifestado o desejo de ser transferida para um presídio feminino, mas seu pedido não foi atendido durante a audiência de custódia.

Investigação por homicídio

A mulher, natural de Tocantins, foi presa em 1º de setembro de 2025, em Curimatá, em cumprimento a um mandado de prisão preventiva por homicídio qualificado ocorrido em 2019. O caso permanece em investigação e ainda não há condenação.

Essa decisão do TJ-PI destaca a importância do reconhecimento dos direitos de identidade de gênero no sistema prisional, refletindo uma mudança necessária nas políticas de encarceramento no Brasil.

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