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Artesanato no Piauí: tradição, sustentabilidade e geração de renda

Artesanato no Piauí une tradição e sustentabilidade, transformando vidas e gerando renda.
Artesanato no Piauí: tradição, sustentabilidade e geração de renda

Reportagem: Joelma Patrícia, Marcos Beleense e Valdi Júnior

Em Poti Velho, o primeiro bairro de Teresina, uma história de criatividade e empreendedorismo se destaca. Às margens dos rios Poti e Parnaíba, a artesã Jovelina Soares, de 77 anos, transformou dificuldades financeiras em oportunidades, impactando a vida de muitas pessoas ao seu redor.

artesanato: cenário e impactos

O início dessa trajetória remonta ao ano 2000, quando Jovelina perdeu seu emprego, a única fonte de renda da família. Com dois filhos pequenos e contas a pagar, ela buscou alternativas para sobreviver.

Em um dia comum, ao encontrar uma garrafa PET e uma fita decorativa, Jovelina deu início a sua jornada no artesanato. “Criei essa técnica em 2000. Meu primeiro trabalho foi uma bolsa e até 2017 eu trabalhava sozinha”, relembra.

O que começou como uma necessidade se transformou em inovação. Jovelina desenvolveu uma técnica que une fibras de buriti e garrafas PET, promovendo sustentabilidade e geração de renda. Ao perceber o potencial de sua atividade, decidiu compartilhar seu conhecimento. Hoje, cerca de 23 pessoas aprenderam diretamente com ela.

“Eu queria ajudar outras pessoas. Queria formar um grupo para que todos pudéssemos trabalhar unidos”, conta Jovelina.

Entre os beneficiados está Geraldo Ferreira, de 63 anos, que antes trabalhava como pescador. Após um diagnóstico de câncer, ele encontrou no artesanato uma forma de reconstruir sua rotina e fortalecer sua saúde emocional. “Quando estou focado aqui, não tem outra coisa melhor para mim. Faço tudo com muito amor”, enfatiza.

As reuniões do grupo acontecem semanalmente, onde os artesãos compartilham experiências e atendem encomendas. Para Naiane Campos, essa atividade é fundamental. “Para mim, tudo isso funciona como uma terapia. Bordar sobre a PET é muito importante”, destaca.

O artesanato, que surgiu como uma alternativa econômica, passou a representar acolhimento e cuidado coletivo. As peças criadas no Poti Velho ganharam reconhecimento nacional, especialmente no Dragão Fashion Brasil (DFB Festival), um dos principais eventos de moda autoral da América Latina.

A conexão com o mundo da moda começou quando a estudante Fran Viana buscava representar a identidade cultural do Piauí. Ao conhecer a técnica de Jovelina, desenvolveram uma coleção que foi desfilada em Fortaleza, resultando em prêmios e uma parceria duradoura.

Fran comenta: “No primeiro contato com dona Jovelina, fiquei impactada com a potência daquela técnica. Desde então, nunca mais nos separamos.” O projeto Re-caseando nasceu para fortalecer essa história, criando oficinas e novos produtos.

Com o crescimento da iniciativa, o grupo buscou apoio do Sebrae no Piauí, recebendo capacitações em empreendedorismo e gestão. Para Naiane, essa visibilidade foi decisiva para o sucesso do projeto.

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