Sentir azia com frequência pode parecer trivial, mas médicos alertam que esse sintoma recorrente não deve ser ignorado. Em alguns casos, a queimação persistente no peito pode ser um sinal inicial de câncer de esôfago, uma doença agressiva que costuma ser diagnosticada tardiamente, resultando em baixa taxa de sobrevivência.
Câncer de esôfago: um “câncer esquecido”
De acordo com a organização britânica Action Against Heartburn, o câncer de esôfago é considerado um “câncer esquecido”, pois seus sinais iniciais são frequentemente confundidos com problemas digestivos comuns. Essa confusão pode atrasar a busca por ajuda médica, reduzindo as chances de um diagnóstico precoce.
Fatores de risco e taxas de sobrevivência
O câncer de esôfago afeta o tubo que liga a boca ao estômago e está associado a fatores como tabagismo, consumo excessivo de álcool, má alimentação e obesidade. Quando a doença é identificada em estágio inicial, a taxa de sobrevivência pode chegar a 86%. No entanto, em casos avançados, essa taxa cai para cerca de 24%.
Sintomas a serem observados
Entre os sintomas mais comuns estão:
- Azia persistente
- Dificuldade para engolir
- Sensação constante de enjoo
- Indigestão crônica
- Tosse persistente e rouquidão
- Perda de apetite e cansaço excessivo
- Fezes escurecidas ou com sangue
Esses sinais, por serem pouco específicos, muitas vezes são tratados como problemas passageiros.
Importância da avaliação médica
O cirurgião esofagogástrico Sheraz Markar explica que a azia persistente é um dos alertas mais comuns. Além disso, a dificuldade para engolir, náuseas, vômitos e perda de peso inexplicada são sinais que exigem avaliação médica. Qualquer pessoa que apresente esses sintomas de forma contínua deve procurar um médico.
Disfagia: um sinal de alerta
Outro sintoma que merece atenção é a disfagia, que descreve a dificuldade ou dor ao engolir alimentos e líquidos. O farmacêutico Hussain Abdeh destaca que esse sintoma pode indicar alterações graves no esôfago. A disfagia pode causar engasgos frequentes e a sensação de que a comida fica presa na garganta ou no peito.
Embora a disfagia possa ocorrer ocasionalmente, especialmente em idosos, quando é persistente ou progressiva, exige investigação médica urgente. Se não tratada, pode levar à desnutrição e desidratação.
A recomendação dos profissionais de saúde é clara: sintomas digestivos que se repetem ou pioram com o tempo não devem ser normalizados. A avaliação precoce pode fazer a diferença entre um tratamento simples e um diagnóstico tardio com consequências graves.
Fonte: noticiasaominuto.com.br