O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) reabriu sua linha de crédito externo, mesmo diante de calotes bilionários de Cuba e Venezuela. O governo brasileiro, por meio do Ministério da Fazenda, confirmou que esses países, os principais devedores, acumulam atrasos sem previsão de quitação.
A decisão de retomar os financiamentos foi impulsionada por uma nova legislação sancionada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que permite novos empréstimos para a exportação de serviços de engenharia. O objetivo é reinserir as construtoras brasileiras em projetos de infraestrutura no exterior, após um período de retração.
Modelo de financiamento e riscos
Os contratos do BNDES para a exportação de serviços seguem um modelo em que o banco financia as obras, mas o pagamento é responsabilidade do país contratante. Em caso de inadimplência, o banco recorre ao Fundo de Garantia à Exportação, que é sustentado pelo Tesouro Nacional, resultando em prejuízos para os cofres públicos.
Esse tipo de financiamento foi amplamente utilizado entre 2003 e 2016, quando as empresas brasileiras representavam cerca de 2,5% do mercado global de engenharia. Entretanto, a política foi interrompida após a Operação Lava Jato, que afetou grandes empreiteiras e levou à suspensão dos financiamentos.
Valores em atraso
A Venezuela deve mais de US$ 1,2 bilhão ao Brasil, enquanto Cuba acumula cerca de US$ 676 milhões em dívidas relacionadas a obras financiadas pelo BNDES. Entre os projetos estão os metrôs de Caracas e Los Teques, na Venezuela, e o Porto de Mariel, em Cuba, considerado o principal empreendimento brasileiro na ilha.
O governo brasileiro informou que continua buscando a regularização dos débitos por meio de negociações bilaterais e fóruns internacionais, aplicando juros sobre os valores em atraso. No entanto, não há um prazo definido para a quitação das dívidas.
Novas restrições e desafios
A nova legislação também introduziu uma proibição a novos empréstimos para países que estejam inadimplentes. Apesar das mudanças, o passivo acumulado ainda pressiona o debate sobre a viabilidade de novos financiamentos. As dívidas de Cuba e Venezuela permanecem sem solução concreta, mesmo após anos de atrasos.
A situação levanta questões sobre a responsabilidade do governo em relação ao uso de recursos públicos e a continuidade de investimentos em países com histórico de inadimplência.
O futuro dos financiamentos externos do BNDES dependerá da capacidade do governo brasileiro de equilibrar a retomada de projetos internacionais com a recuperação dos valores devidos por países devedores.