O dólar encerrou a quarta-feira (29) cotado a R$ 5,001, um aumento de 0,39%, retornando ao patamar de R$ 5. O movimento ocorreu após uma aversão ao risco que tomou conta dos mercados no final da tarde, impulsionada pela decisão do Federal Reserve (Fed) de manter a taxa de juros inalterada.
Decisão do Fed e suas implicações
O Fed decidiu manter a taxa de juros na faixa de 3,5% a 3,75%, uma escolha que, embora esperada, surpreendeu pela divisão de 8 a 4 entre os dirigentes, o que não ocorria desde outubro de 1992. Essa dissensão interna elevou a força do dólar globalmente, refletida no índice DXY, que subiu 0,3%, atingindo 98,96 pontos.
Despedida de Jerome Powell e a situação econômica
O encontro também foi marcado pela despedida do presidente Jerome Powell, que permanecerá no Fed como dirigente indefinidamente. Ele mencionou que “eventos recentes não deixaram outra escolha”, referindo-se aos conflitos com o governo de Donald Trump. A divisão entre os dirigentes, que votaram a favor da manutenção, mas discordaram da comunicação sobre um viés de afrouxamento, sinaliza um debate mais acirrado nas próximas reuniões.
Impactos da guerra no Irã e inflação
A guerra no Irã e o aumento vertiginoso nos preços do petróleo, que chegaram a US$ 119 o barril, geram preocupações sobre uma possível inflação mais alta nos EUA. O Fed reconheceu a situação no Oriente Médio como um fator de incerteza econômica, o que pode levar à manutenção dos juros por mais tempo ou até mesmo a um novo ciclo de aperto monetário.
Expectativas para a economia brasileira
O Comitê de Política Monetária (Copom) anunciou um corte de 0,25 ponto percentual na taxa de juros, agora em 14,5% ao ano. Economistas alertam que a inflação corrente e a alta nos preços do petróleo tornam o cenário mais desafiador, exigindo cautela nas decisões futuras. A expectativa é de um ritmo de cortes mais lento e um ciclo de redução da Selic mais curto do que o inicialmente projetado.
Fernando Gonçalves, do Itaú Unibanco, destaca que a piora nas expectativas de inflação até 2028 sugere menos espaço para cortes de juros, revisando a projeção da Selic ao final do ciclo de 12,25% para 13%.
O cenário atual exige atenção dos investidores, que devem adotar uma postura mais seletiva diante da alta dos juros nos EUA, que geralmente impacta negativamente os mercados globais.
Fonte: noticiasaominuto.com.br