O Ministério Público do Piauí (MP-PI) abriu procedimento para apurar denúncias de que três policiais militares teriam agredido e ameaçado um homem preso por furto qualificado no município de Barro Duro. As acusações partiram do próprio suspeito durante uma audiência de custódia, gerando preocupação sobre a conduta dos agentes e a integridade do processo penal na região.
O homem, que atualmente se encontra em uma unidade prisional do estado, alegou que os policiais arrombaram o imóvel onde ele estava e iniciaram agressões com o uso de um “objeto contundente”. Segundo seu depoimento ao juiz, ele sofreu lesões nas costas, rosto, mãos e pernas, além de ter sido arrastado pelo chão. A denúncia inclui que os agentes teriam efetuado disparos próximos à sua cabeça e o ameaçado para que omitisse as agressões durante o exame de corpo de delito, permanecendo no local durante o procedimento.
Embora o laudo pericial não tenha constatado “ofensas à integridade física ou à saúde” do suspeito, o Ministério Público decidiu investigar uma possível interferência na realização do exame, considerando a gravidade das declarações. O promotor de Justiça Ari Martins Alves Filho, responsável pelo caso na Comarca de Barro Duro, já determinou a oitiva dos três policiais militares envolvidos.
A Corregedoria da Polícia Militar informou que abrirá um procedimento preliminar para apurar os fatos assim que a denúncia for formalmente recebida, destacando que um eventual afastamento dos policiais dependerá de fundamento legal.
Histórico de prisões e descumprimento de cautelares
A denúncia veio à tona em meio ao histórico judicial do suspeito. Ele havia obtido liberdade provisória com uso de tornozeleira eletrônica em uma audiência de custódia realizada no dia 20 de fevereiro. No entanto, o MP-PI apontou que o homem descumpriu as medidas cautelares impostas e voltou a praticar furtos, o que levou à decretação de sua prisão preventiva.
O Ministério Público identificou outros dez registros policiais por furtos e crimes patrimoniais contra o suspeito, que ocorreram entre junho de 2025 e fevereiro de 2026. Alguns desses casos, inclusive, envolveram o uso de armas como faca, facão e trincha. Diante desse quadro, o juiz concordou com o pedido do MP e decretou a prisão preventiva, que foi cumprida pelas forças de segurança.
O MP-PI ressaltou que o procedimento investigativo está em andamento. Ao final, poderão ser adotadas medidas como o oferecimento de denúncia, a realização de diligências complementares ou o arquivamento do caso, dependendo das provas coletadas.
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Fonte: https://portalclubenews.com