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Guerra no Oriente Médio eleva alertas de inflação em grandes economias

A escalada do conflito no Oriente Médio tem se tornado um vetor preocupante para a economia global, com o Fundo Monetário Internacional (FMI) alertando nesta semana sobre um cenário de preços mais altos e crescimento mais lento até 2026. O organismo projeta que a restrição na oferta de petróleo, gás e fertilizantes provenientes do Golfo […]

Cédulas de dólar norte-americano, euro, iene, libra, lira turca e yuan são vistas em ilustraç...

A escalada do conflito no Oriente Médio tem se tornado um vetor preocupante para a economia global, com o Fundo Monetário Internacional (FMI) alertando nesta semana sobre um cenário de preços mais altos e crescimento mais lento até 2026. O organismo projeta que a restrição na oferta de petróleo, gás e fertilizantes provenientes do Golfo Pérsico pode impactar negativamente países de todos os continentes, gerando cicatrizes duradouras no panorama econômico mundial. Grandes importadores de energia, especialmente na Ásia e Europa, já sentem o peso do aumento nos custos de combustível e insumos, uma vez que cerca de 25% a 30% do petróleo global e 20% do gás natural liquefeito trafegam pelo Estreito de Ormuz.

Cenário de inflação no Brasil

No Brasil, os alertas inflacionários foram ativados com a valorização internacional do petróleo em março. O boletim Focus do Banco Central, que reflete as projeções de mercado, registrou expectativas para o IPCA em alta por 3 semanas seguidas. A projeção para 2026 agora é de 4,31%, contra 4,17% na semana anterior e 3,91% há um mês. O IPCA-15 de março, divulgado na semana passada, marcou 0,44%, mas a piora total do cenário do mês deverá ser espelhada apenas no índice cheio, que será publicado pelo IBGE no dia 10. Um indicativo preocupante veio do óleo diesel, com variação positiva de 3,77% ante fevereiro, e acompanhamentos setoriais apontando altas entre 13% e 14% no diesel durante o mês. Além disso, a FGV/Ibre informou nesta semana que o Índice Geral de Preços – Mercado (IGP-M) subiu 0,52% em março, após queda de 0,73% em fevereiro, com o Índice de Preços ao Produtor Amplo saindo de -1,18% para 0,61%. Apesar do risco inflacionário, a maioria das casas de investimentos ainda projeta cortes de juros na próxima reunião do Copom, no final de abril, embora já haja uma tendência de revisões sobre a intensidade dos cortes até o final do ano.

Impactos nos Estados Unidos

Nos Estados Unidos, a expectativa de aceleração inflacionária cresce. O Índice de Preços ao Consumidor (CPI) de março, que deve refletir os efeitos da alta do petróleo, será divulgado apenas no dia 12 de abril. Contudo, uma pesquisa da Bloomberg já aponta que o PCE, outro importante indicador de preços, poderá fechar o ano em 3,1%, acima da projeção anterior de 2,6%. O PCE referente a fevereiro será conhecido no dia 9 de abril. No cotidiano, a Associação Automotiva AAA reportou nesta semana que o preço médio do galão de gasolina superou US$ 4, um patamar não visto desde meados de 2022, representando um aumento de 30% em relação ao período pré-guerra. Com o diesel já acima de US$ 5, teme-se um efeito cascata nos preços dos alimentos, agravado pela escassez de fertilizantes.

Aumento na Zona do Euro

Na Zona do Euro, a taxa anual de inflação ao consumidor teve uma aceleração expressiva em março, atingindo 2,5%, contra 1,9% em fevereiro. Os dados foram divulgados nesta terça-feira (31) pela Eurostat, a agência de estatísticas da União Europeia. Embora a energia tenha peso menor no cálculo do CPI, seu salto de 4,9% no mês passado pode influenciar outros grupos, como alimentos. Grandes economias do bloco registraram altas notáveis: Alemanha subiu para 2,8% ante 2,0%, França para 1,9% contra 1,1%, e Espanha para 3,3% ante 2,5%. O aumento nos preços da energia foi um fator chave, com alta de 4,9% frente a -3,1% anteriormente, e na Alemanha, um aumento de 7,2% em relação ao ano anterior.

Ainda que os cenários se desenhem de forma distinta em cada economia, a sombra do conflito no Oriente Médio paira sobre os indicadores de inflação globais, exigindo vigilância constante das autoridades monetárias e dos consumidores. A volatilidade dos preços de energia e insumos essenciais promete manter a pressão sobre o custo de vida nos próximos meses.

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Fonte: https://www.infomoney.com.br

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