Em 1º de abril de 1988, o mundo do futebol foi surpreendido por uma notícia inusitada: Diego Maradona, então no auge de sua carreira e ídolo do Napoli, estaria negociando uma transferência para o Spartak Moscou, na União Soviética. A manchete, estampada pelo jornal estatal Izvestia, reverberou rapidamente, enganando não apenas torcedores, mas também a imprensa internacional com uma das maiores pegadinhas da história do jornalismo esportivo.
O artigo do Izvestia era notavelmente detalhado, mencionando valores de transferência, o impacto econômico da possível contratação e até a ideia de um financiamento coletivo para que torcedores pudessem ajudar a viabilizar o negócio. Declarações falsas eram atribuídas a figuras do futebol soviético, e cálculos otimistas sobre o retorno financeiro completavam a narrativa. Em um período de Perestroika e Glasnost, que buscavam aproximar a URSS do Ocidente e modernizar o jornalismo, a história parecia crível e distante de uma mera piada.
A repercussão foi imediata e de grande escala. Redações em todo o mundo replicaram a “notícia”, e o Izvestia foi inundado por telefonemas de leitores curiosos, querendo saber detalhes da chegada de Maradona a Moscou e como poderiam contribuir financeiramente. A agência Associated Press, por exemplo, chegou a ecoar a suposta transferência, ampliando ainda mais o alcance da farsa.
Somente depois veio a revelação: era 1º de abril, o popular Dia da Mentira. A justificativa, contudo, não foi suficiente para apaziguar o desconforto. Em um sistema onde a imprensa estatal raramente utilizava a ironia na informação, a pegadinha foi vista como uma quebra de paradigma. O jornal teve que publicar uma retratação no dia seguinte, confrontado com a reação de um público pouco acostumado a esse tipo de artifício midiático.
A história ganhou um capítulo ainda mais simbólico apenas dois anos depois. Em 1990, Diego Maradona realmente pisaria no estádio do Spartak Moscou, mas não como reforço. Na ocasião, ele defendia o Napoli em uma partida da Copa da Europa. Aquele jogo, que terminou com a eliminação italiana nos pênaltis, foi assistido por um estádio lotado de torcedores que, em algum momento, alimentaram a esperança de ver o craque argentino vestir a camisa vermelha da equipe local.
Relembrar o episódio ressalta a importância da verificação dos fatos em qualquer época e local.
Fonte: https://www.infomoney.com.br