O setor industrial da Zona do Euro registrou seu maior crescimento em quase quatro anos no mês de março, conforme um levantamento divulgado em 1 Abr. Embora o Índice de Gerentes de Compras (PMI) aponte uma expansão robusta, este cenário é impulsionado principalmente por interrupções na cadeia de suprimentos globais, o que mascara uma demanda subjacente fraca e uma crescente pressão nos custos devido à guerra do Irã, ameaçando a recuperação da região.
O conflito no Oriente Médio tem afetado severamente as redes globais de logística, resultando em atrasos nas entregas. Estes atrasos, por sua vez, inflacionaram artificialmente as principais medidas de crescimento, ao mesmo tempo em que elevaram a inflação dos preços dos insumos ao patamar mais alto desde outubro de 2022.
PMI em destaque
O Índice de Gerentes de Compras (PMI) de indústria da S&P Global para a Zona do Euro subiu para 51,6 em março, um avanço notável em relação aos 50,8 registrados em fevereiro. O resultado superou ainda a estimativa preliminar de 51,4. É importante destacar que qualquer leitura acima de 50,0 indica expansão na atividade industrial.
Joe Hayes, economista-chefe da S&P Global Market Intelligence, observou que ‘a guerra no Oriente Médio já deixou sua marca no setor industrial da Zona do Euro’. Ele complementou que ‘os prazos de entrega dos fornecedores aumentaram acentuadamente conforme os mercados de logística se reajustam devido às interrupções marítimas, enquanto o aumento dos preços do petróleo e da energia elevou a inflação dos custos de insumos ao seu maior nível desde o final de 2022’.
Indicadores e Pressões Inflacionárias
Apesar do cenário geral de crescimento, o subíndice de novos pedidos — um indicador vital da demanda — igualou a máxima de 46 meses atingida em fevereiro, mas o crescimento permaneceu modesto. A produção, contudo, aumentou pelo terceiro mês consecutivo, com o subíndice de produção subindo para 52,0, de 51,9 em fevereiro, alcançando a máxima em sete meses. Os fabricantes encontraram um certo alívio com a estabilização dos novos pedidos de exportação, após contrações por oito meses seguidos.
A inflação de custo de insumos alcançou sua máxima em 41 meses, impulsionada diretamente pelos preços mais altos do petróleo e da energia. Em resposta, os fabricantes repassaram esses aumentos, elevando os preços de venda no ritmo mais rápido em pouco mais de três anos. ‘Vimos parte do impulso inflacionário causado pela guerra ser repassado diretamente para os preços finais em março, reduzindo a competitividade da Zona do Euro’, acrescentou Hayes.
A confiança das empresas, por outro lado, caiu para a mínima de cinco meses e continua abaixo de sua média de longo prazo, evidenciando o impacto do conflito no sentimento dos negócios. A demanda subjacente fraca e a crescente pressão inflacionária sugerem que a recuperação do setor industrial na Zona do Euro enfrenta desafios complexos no futuro próximo.
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Fonte: https://www.infomoney.com.br