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Indústria de Biocombustíveis Protege Brasil da Crise Global do Petróleo

A escalada de tensões entre grandes potências globais disparou os preços do petróleo no mercado internacional, pegando boa parte do mundo desprevenida. Contudo, o Brasil se destaca como um dos países mais bem preparados para enfrentar essa volatilidade, graças à sua avançada indústria de biocombustíveis. Uma análise recente aponta o setor como uma “arma secreta” […]

Unidade da Tereos produtora de açúcar e etanol (Divulgação Tereos)

A escalada de tensões entre grandes potências globais disparou os preços do petróleo no mercado internacional, pegando boa parte do mundo desprevenida. Contudo, o Brasil se destaca como um dos países mais bem preparados para enfrentar essa volatilidade, graças à sua avançada indústria de biocombustíveis. Uma análise recente aponta o setor como uma “arma secreta” que tem blindado a economia nacional dos impactos mais severos da crise.

O papel da Petrobras na absorção de custos é reconhecido, mas a competitividade dos biocombustíveis, como etanol e biodiesel, tem sido fundamental para mitigar os efeitos negativos sobre o país. O Brasil é o segundo maior produtor mundial de etanol e o terceiro de biodiesel. Além disso, cerca de três quartos dos veículos leves brasileiros são flex, capazes de funcionar com álcool ou gasolina. Essa flexibilidade reduz significativamente a dependência do Brasil de combustíveis fósseis importados e oferece uma proteção contra a instabilidade dos mercados globais.

Impacto Local e Resposta do Mercado

Embora o Brasil tenha registrado um aumento nos preços dos combustíveis desde o início do cenário de guerra, a elevação foi notadamente menor em comparação com outras nações. Enquanto em países como os Estados Unidos os preços subiram entre 30% e 40%, no Brasil o aumento variou de 10% a 20%. A alta do diesel, mesmo que em menor intensidade, chegou a alimentar a preocupação com uma possível paralisação de caminhoneiros, hipótese hoje descartada. A relevância do transporte rodoviário no país amplifica a importância de manter a estabilidade nos preços dos combustíveis para evitar um efeito cascata sobre outros produtos.

História e Visão de Futuro dos Biocombustíveis

A proteção oferecida pelos biocombustíveis ao Brasil não é um fenômeno novo. Evandro Gussi, da Unica, associação do setor de etanol, enfatiza que o país investiu na independência energética após a crise do petróleo em 1973, com a criação do Proálcool, e posteriormente com o lançamento dos primeiros carros flex em 2003. Essa visão estratégica é compartilhada pelo presidente Lula, que vê o setor como uma via para fortalecer a soberania nacional, reduzir emissões de gases poluentes e impulsionar a agricultura familiar.

Apesar dos benefícios, os biocombustíveis não eliminam completamente os custos impostos pela alta do petróleo. Mário Campos, da Bioenergia Brasil, explica que se o etanol se tornar mais barato que a gasolina e o consumo aumentar, seu preço também pode subir. Além disso, os altos custos do gás natural impactam os fertilizantes, o que, por sua vez, pode afetar a produção de biocombustíveis. Contudo, ele conclui que os produtores de biocombustíveis têm muito a ganhar com a atual conjuntura de instabilidade no Oriente Médio.

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Fonte: https://www.infomoney.com.br

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