A filha da servidora de 64 anos encontrada desacordada e com sinais de um possível estupro dentro da Delegacia-Geral da Polícia Civil do Piauí, em Teresina, relatou ter sido abordada pelo principal suspeito do crime. Segundo a filha, que preferiu não se identificar, o homem a questionou na Casa da Mulher Brasileira sobre o estado de saúde da mãe, indagando se o sangramento havia cessado e se “algo mais nas regiões íntimas dela” tinha sido encontrado. O suspeito, um prestador de serviço terceirizado na unidade policial, foi preso em flagrante.
A família da vítima, em choque, clama por justiça. “Minha mãe está passando pelo pior cenário que se pode imaginar na vida de alguém”, desabafou a filha nesta segunda-feira (23). A irmã da servidora, que também não quis se identificar, complementou: “A gente está arrasado, despedaçado, sem rumo. Nenhuma mulher merece passar por isso. É monstruoso demais. Nós pedimos justiça.” A advogada da família, Nathalia Freitas, informou que a servidora passou aproximadamente três dias entubada e, em processo de recuperação, relata dores e movimentos involuntários, pedindo socorro e proteção.
A Investigação e o Perfil do Suspeito
A Polícia Civil do Piauí solicitou exames para confirmar o estupro e exames toxicológicos para verificar a possibilidade de a vítima ter sido dopada, já que ela foi encontrada com sangramento nas partes íntimas e precisou ser entubada, permanecendo em estado grave em uma Unidade de Tratamento Intensivo (UTI). A vítima foi encontrada desacordada na tarde do dia 19 de março de 2026 em uma das salas da Delegacia-Geral.
O delegado-geral, Luccy Keiko, que interrogou o suspeito, descreveu-o como uma pessoa fria, que tentou mostrar desinteresse e mentiu abertamente. Ele admitiu parcialmente o delito após cinco perguntas diretas. O suspeito foi contratado em 2018 para o Instituto Médico Legal (IML) por uma empresa terceirizada e removido para o novo prédio da Delegacia-Geral em dezembro de 2025. O delegado revelou que o homem já responde pelo crime de homicídio em 2017, decorrente de um linchamento após um assalto.
Uma outra servidora relatou ter ouvido pancadas vindas da sala onde a vítima foi encontrada. Ao retornar para pegar um capacete, ela viu o terceirizado abrir a porta, alegando que a vítima havia passado mal.
Defesa Pede Cautela
A defesa do suspeito divulgou uma nota pedindo cautela na divulgação e análise das informações, ressaltando que o procedimento se encontra em fase inicial, sob sigilo. A nota expressa preocupação com a circulação de dados que deveriam estar apenas nos autos, podendo comprometer a apuração dos fatos. A defesa manifestou votos pela recuperação da suposta vítima e pediu respeito tanto à família dela quanto à família do investigado, que também estaria sendo alvo de exposições e ataques nas redes sociais.
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Fonte: https://portalclubenews.com