Um novo Banco Vermelho, símbolo nacional da luta contra o feminicídio e a violência contra a mulher, foi instalado no campus Torquato Neto da Universidade Federal do Piauí (UFPI), em Teresina. A iniciativa visa promover reflexão, conscientização e informar sobre canais de ajuda para vítimas de violência, integrando-se a um movimento nacional de instalação dessas estruturas em espaços públicos.
A reitora Nadir Nogueira destacou que a ação na UFPI faz parte de um plano mais abrangente da universidade no enfrentamento à violência de gênero. Ela lembrou a inauguração da Sala Lilás no ano passado, um espaço dedicado ao acolhimento de mulheres da comunidade universitária que sofreram qualquer tipo de violência.
Este é o segundo Banco Vermelho na capital piauiense. Em 2024, uma unidade já havia sido instalada no Parque Potycabana. A estrutura carrega a mensagem forte: “No Piauí, lutamos pelo feminicídio zero. Sentar e refletir. Levantar e agir”.
Medidas protetivas triplicam no Piauí
Dados do Piauí revelam um aumento preocupante no número de mulheres que buscaram auxílio e solicitaram medidas protetivas, triplicando nos últimos cinco anos. Em 2020, foram 5.007 medidas protetivas concedidas pela Justiça. Já em 2025, o registro alcançou 18.984, um aumento de aproximadamente 380%.
A juíza Cássia Lage de Macedo, membro da Coordenadoria Estadual da Mulher em Situação de Violência Doméstica e Familiar (Cevid), explicou que, graças a medidas implementadas pelo Poder Judiciário e outros órgãos estaduais, o tempo médio para análise das Medidas Protetivas de Urgência reduziu drasticamente. Enquanto em 2020 a média era de 21 dias, hoje o Judiciário piauiense consegue expedir essas medidas em até 24 horas, cumprindo a recomendação do Conselho Nacional de Justiça pela metade.
Apoio integral à vítima é essencial
A socióloga e pesquisadora de violência contra a mulher, Marcela Castro, alerta que a medida protetiva, por si só, não garante proteção plena. Segundo ela, é fundamental que a vítima seja acompanhada e receba apoio familiar, além de ter acesso a todo o arcabouço de políticas públicas disponíveis.
Castro ainda projeta um aumento no número de medidas protetivas, apesar das subnotificações. Ela ressalta que muitas mulheres ainda temem denunciar devido a ameaças dos agressores, contribuindo para que muitos casos de violência permaneçam ocultos.
A luta contra a violência feminina exige a união de esforços da sociedade. Mulheres em situação de violência podem buscar ajuda e denunciar através dos canais oficiais.
Fonte: https://portalclubenews.com