O custo do diesel S10, essencial para o transporte de cargas, registrou uma alta expressiva de 19,71% entre os dias 1º e 16 deste mês nas bombas de combustível. Os dados são de um levantamento do Instituto Brasileiro de Planejamento e Tributação (IBPT), que analisou 192 mil notas fiscais eletrônicas de distribuidoras em todo o país.
A escalada de preços se intensificou rapidamente. Na primeira semana de março, entre os dias 1º e 8, o reajuste havia sido de 8,70% para o mesmo combustível. Outras variações monitoradas pelo IBPT incluem: diesel aditivado (17,61%), gasolina comum (5,24%), gasolina aditivada (2,88%) e, na contramão, o etanol que apresentou queda de 0,66%.
Impacto da Guerra e Desoneração Insuficiente
A disparada dos valores, ainda mais pressionada pela alta nas cotações do petróleo nesta quinta-feira em meio à guerra no Oriente Médio, já supera o reajuste anunciado pela Petrobras na última sexta-feira (dia 13). Isso sugere que a desoneração de PIS e Cofins sobre o diesel, adotada semana passada pela equipe econômica, tem se mostrado insuficiente para conter os aumentos.
Consultores e executivos explicam que a dependência de importação (quase 30% do diesel consumido no Brasil) é um fator determinante. Murilo Barco, diretor da Valêncio Pricing, aponta: “O preço do combustível no Brasil é muito mais ‘macroeconômico’ do que tributário.” Ele destaca o custo do petróleo, taxa de câmbio e frete como principais influências. Refinarias privadas, como a Refinaria de Mataripe (Acelen), já elevaram seus preços.
Risco de Desabastecimento e Preços Defasados
A média dos preços domésticos de diesel no Brasil permanece 57% abaixo da paridade internacional, conforme boletim desta quinta-feira da Abicom, associação dos importadores. Essa defasagem, que era de 52% no boletim de quarta-feira, desestimula a importação, levantando um alerta para a oferta futura.
Sérgio Araujo, presidente executivo da Abicom, detalha a situação: “Hoje, o preço da Petrobras está muito abaixo da paridade. Um produto que meu associado traz, quando chega ao Brasil, está R$ 2, ou R$ 2,50 acima do preço da Petrobras.” A preocupação é tão grande que alguns importadores estão evitando fechar negócios de abril em diante, o que pode causar falta de diesel importado já no mês que vem.
Eduardo Melo, da consultoria Raion, revela que as restrições de entrega já afetam clientes do mercado à vista – como postos sem bandeira e transportadoras. “Clientes que não têm contrato de fidelidade, os clientes spot (de preços à vista), estão colocando pedidos e eles estão sendo negados. A cada dia a situação de abastecimento vem se degradando”, afirma Melo, ressaltando que conseguir produtos hoje é mais difícil do que na semana passada.
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Fonte: https://www.infomoney.com.br