Os Estados Unidos buscaram uma parceria estratégica com o Brasil para fortalecer as cadeias de fornecimento de minerais críticos, sediando um evento em São Paulo nesta quarta-feira. No entanto, a iniciativa foi marcada por um cenário de desgaste diplomático, resultando na ausência de autoridades federais brasileiras e na revogação do visto de um diplomata americano.
Desgaste Diplomático e Revogação de Visto
A decisão de autoridades federais de não participar da conferência – descrita como o maior evento de minerais críticos do governo americano na América Latina em 2026 – decorreu de um episódio delicado. Fontes do governo brasileiro relataram à Reuters, em 18 Mar, que o assessor para o Brasil do Departamento de Estado, Darren Beattie, solicitou autorização judicial para visitar o ex-presidente Jair Bolsonaro na prisão, uma ação interpretada como interferência em assuntos internos. O visto de Beattie foi posteriormente revogado pelo Itamaraty, que alegou falsas premissas no pedido.
O descontentamento brasileiro se acentuou com a negociação de um memorando de entendimento com o governador de Goiás, Ronaldo Caiado, opositor do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A assinatura do acordo, prevista para esta quarta-feira, foi vista como uma tentativa de contornar o governo federal, conforme uma fonte próxima ao assunto.
Potencial Econômico e Prioridade Brasileira
Apesar dos atritos, Washington reafirma o interesse em uma parceria ‘ganha-ganha’ com o Brasil, visando ao desenvolvimento da capacidade de processamento de minerais. Autoridades americanas identificaram mais de 50 projetos de mineração no país com potencial para atrair bilhões de dólares em investimentos, fortalecendo a diversificação do fornecimento global e reduzindo a dependência da China.
Para o governo Lula, o desenvolvimento do processamento doméstico é uma prioridade inegociável, base para qualquer acordo futuro. As negociações sobre minerais críticos, que incluem outros temas, estão em andamento entre o governo brasileiro e o Departamento de Comércio norte-americano, visando a uma possível viagem do presidente Lula a Washington, ainda sem data.
Ainda assim, mais de 100 empresas e representantes de vários governos estaduais compareceram ao evento em São Paulo, onde puderam apresentar propostas a investidores americanos. Os EUA esperam firmar um acordo mais abrangente com o governo federal, buscando solidificar a cooperação no setor.
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Fonte: https://www.infomoney.com.br