A escalada do conflito no Oriente Médio acendeu um alerta significativo para a economia brasileira, com especial preocupação para o setor industrial. A Confederação Nacional da Indústria (CNI), por meio de seu Conselho de Infraestrutura (Coinfra), avalia que a prolongada tensão geopolítica pode gerar um efeito cascata nos custos de produção, impulsionado pelo aumento dos preços de gás natural e energia elétrica no cenário internacional. A dinâmica dos mercados globais de energia, influenciada por movimentos como o fechamento do Canal de Ormuz, já reflete a instabilidade.
Com o barril do petróleo Brent atingindo a marca de US$ 100 e o índice JKM, referência para o gás natural liquefeito (GNL) na Ásia, avançando cerca de 50%, a repercussão é inevitável. No Brasil, contratos de gás natural utilizados pela indústria são indexados ao Brent, enquanto o combustível das termelétricas segue o JKM. A CNI explica que esses contratos são reajustados a cada três meses, com base na média dos últimos 90 dias, sugerindo que a alta recente será repassada gradualmente aos custos internos, especialmente se o conflito persistir.
Impacto direto na cadeia produtiva
O encarecimento do gás natural representa uma pressão direta sobre cadeias produtivas essenciais. Como insumo fundamental na fabricação de fertilizantes, o custo no agronegócio pode subir. Setores industriais intensivos em energia, como química, siderurgia, petroquímica, cerâmica e vidro, também enfrentarão aumentos, elevando o risco de um generalizado aumento de preços.
O setor elétrico brasileiro também está sob ameaça. Com 178 usinas termelétricas a gás natural, que respondem por cerca de 9% da matriz elétrica total, o aumento no custo do combustível tende a encarecer a produção de energia, impactando diretamente as tarifas. A volatilidade no mercado internacional de GNL ainda eleva a percepção de risco para futuros projetos de energia no país, afetando decisões de investimento e a expansão da oferta, segundo a indústria.
Cenário de competitividade e prazos
Este cenário é agravado pelo fato de o Brasil já possuir um custo de gás natural elevado em comparação internacional. O Coinfra alerta que um aumento adicional pode intensificar a perda de competitividade da indústria nacional. Um ponto de atenção no curto prazo são os reajustes de contratos de fornecimento de gás natural previstos para 1º de maio de 2026. Se a pressão nos preços internacionais continuar até lá, essa recomposição contratual incorporará a alta, intensificando o impacto industrial. A produção industrial, por exemplo, teve uma alta de 1,8% em janeiro, a maior desde junho de 2024.
Diante desse panorama, o presidente do Coinfra/CNI, Alex Dias Carvalho, defende a urgência de medidas para mitigar os efeitos da escalada de preços. “É hora de discutirmos medidas para minimizar a eventual alta desses insumos, a fim de proteger os consumidores e a economia brasileira, garantindo a manutenção da competitividade da indústria”, afirmou. Em resumo, um conflito geopolítico distante pode rapidamente impactar a conta de energia, a produção industrial e, em última instância, o bolso do consumidor brasileiro.
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Fonte: https://www.infomoney.com.br