A economia da China mostrou um início de ano mais robusto, com dados divulgados nesta segunda-feira, 16 de Março, indicando uma recuperação na produção industrial, vendas no varejo e investimentos em janeiro e fevereiro. Este cenário traz um alívio inicial às autoridades em Pequim, apesar do aumento das incertezas globais causadas pela escalada de tensões entre os Estados Unidos, Israel e o Irã.
Destaques do Desempenho Econômico
A produção industrial chinesa registrou um crescimento de 6,3% em janeiro e fevereiro, superando o 5,2% de dezembro e a previsão de 5% da Reuters. Este é o avanço mais rápido desde setembro do ano passado. As vendas no varejo, por sua vez, subiram 2,8%, um aumento significativo em relação aos 0,9% de dezembro e o maior ganho desde outubro do ano passado, ficando acima dos 2,5% esperados por analistas.
Desafios e Perspectivas
Apesar do impulso, a confiança do consumidor permanece frágil. Os gastos com turismo doméstico por viagem caíram 0,2%, mesmo com o feriado mais longo do Ano Novo Lunar em fevereiro impulsionando o gasto total em turismo em quase 19% em relação ao mesmo período de feriado do ano passado. Outro sinal de cautela foi a queda de 26% nas vendas de veículos de passeio nos dois primeiros meses.
Contudo, o investimento em ativos fixos trouxe um fôlego inesperado, crescendo 1,8% nos dois primeiros meses, contrariando a expectativa de um declínio de 2,1% e a contração de 3,8% registrada em 2025 – a primeira queda anual em cerca de três décadas. O investimento em infraestrutura liderou essa recuperação, com alta de 11,4%, impulsionado por novas medidas de apoio governamental.
Analistas como Hao Zhou, economista-chefe da Guotai Junan International, apontam que a China iniciou o ano em uma base de crescimento mais firme. No entanto, persistem preocupações com a lacuna entre a robusta demanda externa e o lento consumo doméstico. Zhaopeng Xing, estrategista sênior do ANZ para a China, alerta que ‘não se pode descartar que os dados da demanda doméstica em março ainda enfrentarão pressão negativa’, embora os números atuais não sugiram um corte imediato na taxa de juros.
Os dados de empréstimos familiares, que indicaram uma queda contínua na semana passada, reforçam a necessidade de medidas que fortaleçam o consumo interno para sustentar o crescimento de longo prazo do país. O cenário global, marcado por tensões geopolíticas e no comércio, continua a exigir vigilância.
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Fonte: https://www.infomoney.com.br