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China investe bilhões em portos globais, com forte presença no Brasil

Um recente relatório da AidData, laboratório de pesquisa da universidade americana William & Mary, revela a amplitude da política externa chinesa em portos estratégicos ao redor do mundo. Entre 2000 e 2025, a China destinou cerca de US$ 24 bilhões em empréstimos e subsídios para 168 portos, espalhados por 90 países. O Brasil emerge como […]

Porto de Paranaguá (Foto: Claudio Neves/Portos do Paraná)

Um recente relatório da AidData, laboratório de pesquisa da universidade americana William & Mary, revela a amplitude da política externa chinesa em portos estratégicos ao redor do mundo. Entre 2000 e 2025, a China destinou cerca de US$ 24 bilhões em empréstimos e subsídios para 168 portos, espalhados por 90 países. O Brasil emerge como um polo crucial nesse cenário, atraindo investimentos significativos e se tornando peça-chave na estratégia global de Pequim.

Brasil no foco dos investimentos chineses

O estudo “Anchoring Global Ambitions” detalha que o Brasil recebeu quase US$ 505 milhões em financiamento para projetos portuários entre 2009 e 2023. Essa quantia reflete a proximidade estratégica cultivada pela China para assegurar acesso a recursos naturais vitais, como a soja e o minério de ferro da mina Pedra de Ferro, ligada ao Porto Sul, na Bahia.

Entre os projetos de participação direta, destacam-se a aquisição majoritária no Terminal de Contêineres de Paranaguá (TCP) e os planos da estatal chinesa COFCO para estabelecer seu maior terminal portuário de exportação no Porto de Santos. Paranaguá, inclusive, figura como o 17º maior investimento chinês global em portos, com US$ 483 milhões.

Ainda no radar, a China avalia um ambicioso corredor bioceânico, que visaria conectar um porto no Peru – especificamente o Porto de Chancay, ativo desde novembro de 2024 – ao Porto Sul, na Bahia. Embora sua concretização ainda seja incerta, os desdobramentos são monitorados de perto, dada a sua relevância para o comércio e a logística regionais.

Estratégia global e segurança de suprimentos

A presença crescente da China em portos sul-americanos, especialmente no Brasil e no Peru, visa fortalecer suas cadeias de suprimento e reforçar a segurança econômica. Lea Thome, coautora do relatório da AidData, explica que esses investimentos fazem parte de um modelo “porto-ferrovia-mina”. Um exemplo é o financiamento para o Porto de Chancay, no Peru, em conjunto com o apoio a operações minerais em Las Bambas e Toromocho, além dos portos brasileiros.

Sheng Zhang, analista sênior de pesquisa da AidData, complementa que a rede global de portos é essencial para a China receber suas exportações e importar commodities essenciais, como minerais críticos, gás natural liquefeito, petróleo e, claro, a soja brasileira. Um quinto desses projetos portuários é de propriedade e operação chinesa, indicando que Pequim busca não apenas participação acionária, mas também controle operacional.

Essa estratégia global não se limita a países de baixa ou média renda, com aproximadamente US$ 10,8 bilhões apoiando 29 portos em 20 países de alta renda, incluindo a Grécia. Para mais informações sobre investimentos e seus impactos locais, continue acompanhando o Altos News.

Fonte: https://www.infomoney.com.br

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