Um item de colecionador alcançou um valor surpreendente de R$ 86 milhões em um leilão recente, sendo oficialmente reconhecido pelo Guinness World Records como a carta de Pokémon mais cara já vendida. Trata-se de uma rara carta “foil” de Pikachu, pertencente ao lutador Logan Paul, que intriga o mercado e levanta questionamentos sobre o valor simbólico e a lógica da escassez em um cenário de rápida evolução tecnológica.
Este fenômeno paradoxal surge em um momento em que a inteligência artificial (IA) redefine o trabalho humano, gerando debates intensos sobre a desvalorização de habilidades e o impacto em diversas profissões criativas. Enquanto a automação e a eficiência algorítmica avançam, objetos como essa carta de papel, com ilustrações feitas por humanos, parecem desafiar a fria lógica do mercado digital.
Abundância artificial versus valor da escassez
A ascensão da inteligência artificial torna a produção de imagens, textos e vídeos extremamente abundante. Quando tudo pode ser gerado rapidamente, o que passa a ter valor é aquilo que é limitado, certificado e raro. Este é o princípio da escassez, um dos pilares da psicologia do consumo, que explica o valor de itens colecionáveis.
A carta de Pikachu, graduada com nota dez, não vale pelo material em si, mas pelo selo de autenticidade, pela sua raridade e pelo status social que confere ao seu proprietário. É o valor simbólico que sustenta seu preço astronômico, alimentando tanto o colecionismo quanto a especulação. Em contraste com a produção infinita gerada pela IA, o desejo se desloca para o finito, para o único.
A virtude da criatividade no horizonte da IA
Em um mundo onde a IA pode replicar em massa o que designers, desenvolvedores e outros profissionais entregam, a questão central se torna: qual é o nosso diferencial? A resposta reside na criatividade. Quando a produção é abundante, o mercado passa a valorizar o que é escasso, e essa escassez se manifesta na capacidade humana de interpretar, fazer escolhas complexas, dar sentido, e conectar pontos de forma única.
A carta de R$ 86 milhões, por exemplo, é valiosa não pela qualidade do papel, mas por ser o único exemplar conhecido a receber a graduação PSA 10. Da mesma forma, o profissional continuará tendo valor não por saber “apertar um botão”, mas por saber decidir qual botão vale a pena apertar. A crença é que a criatividade será uma das virtudes humanas que nos manterá relevantes, transformando o excesso de informação em significado.
O futuro, talvez, pertença aos criativos. Não porque a IA os suplantou, mas porque a abundância artificial amplifica o valor do que é raro e intrinsecamente humano.
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Fonte: https://www.tecmundo.com.br