Stephen Miran, diretor do Federal Reserve (Fed), o banco central norte-americano, ajustou suas projeções para os cortes de juros nos Estados Unidos este ano. A mudança de perspectiva, revelada em entrevista, reflete uma visão de economia mais robusta do que o inicialmente previsto pelo dirigente. Miran indicou que os dados recentes de emprego e inflação de bens estão mais resistentes do que ele antecipava.
Na entrevista ao The Peg, blog da jornalista Izabella Kaminska, Miran detalhou que o mercado de trabalho superou suas expectativas nos últimos meses. Além disso, a inflação de bens demonstrou sinais de maior persistência. “O mercado de trabalho veio um pouco melhor do que eu esperava nos últimos meses”, comentou. “Há alguns sinais de ainda mais firmeza na inflação de bens. E então essas duas coisas combinadas me fariam desfazer o que fiz em dezembro”.
Diante desse cenário, o diretor não considera mais que o banco central deva planejar tantos cortes de juros este ano quanto pensava há dois meses. Anteriormente, no gráfico de pontos trimestral do Fed divulgado no fim do ano, Miran havia projetado que as taxas cairiam para abaixo de 2,25% até o final de 2026. Agora, ele prefere retornar à posição menos agressiva que mantinha em setembro, o que implicaria taxas abaixo de 2,75% em dezembro deste ano.
Essa nova posição, que prevê um corte total de um ponto percentual, ainda o coloca entre os membros mais “dovish” (favoráveis a políticas monetárias mais flexíveis) do Fed. Contudo, contrasta fortemente com a projeção mediana dos demais dirigentes, que aponta para um corte de apenas um quarto de ponto percentual este ano.
No passado, o diretor Stephen Miran já havia alertado para o risco de prejuízos à economia caso os cortes de juros não fossem profundos o suficiente, e chegou a minimizar preocupações com a inflação de bens, o que mostra uma evolução em sua análise.
Miran optou por não comentar como pretende votar na próxima reunião do Fed em março. O mercado, por sua vez, espera amplamente que o banco central norte-americano mantenha as taxas estáveis, estendendo a pausa decidida no mês passado, aguardando mais dados para futuras movimentações.
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Fonte: https://www.infomoney.com.br