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Vendas no comércio têm 9ª alta anual seguida em 2025, mas ficam abaixo de 2024

Nesta sexta-feira (13), dados do IBGE revelaram que as vendas no comércio varejista nacional registraram o nono aumento consecutivo em 2025, com um avanço de 1,6% em comparação ao ano anterior. Apesar do resultado positivo, o crescimento ficou aquém da marca de 4,1% observada em 2024, indicando uma desaceleração no setor. A dinâmica econômica de […]

(Foto: Valter Campanato/Agência Brasil)

Nesta sexta-feira (13), dados do IBGE revelaram que as vendas no comércio varejista nacional registraram o nono aumento consecutivo em 2025, com um avanço de 1,6% em comparação ao ano anterior. Apesar do resultado positivo, o crescimento ficou aquém da marca de 4,1% observada em 2024, indicando uma desaceleração no setor. A dinâmica econômica de 2025 foi marcada por uma dualidade: segmentos ligados à renda se beneficiaram do mercado de trabalho aquecido, enquanto áreas dependentes de crédito sentiram o impacto de uma política de juros restritiva, mantendo a taxa básica em 15% desde junho do ano passado.

Desaceleração no fechamento de 2025

O encerramento de 2025 foi particularmente desafiador para o comércio. Em dezembro, as vendas no varejo caíram -0,4% em relação a novembro, um recuo mais acentuado do que a expectativa do mercado, que era de -0,2%. No comércio ampliado, que inclui veículos e material de construção, a queda foi ainda maior, de -1,2%. Esses números levaram o acumulado de 2025 a uma variação positiva de apenas 0,1% para o varejo ampliado.

A economista Claudia Moreno, do C6 Bank, classificou os resultados como “mais fracos do que o esperado” e um “cenário desfavorável”. Ela apontou que as maiores quedas no varejo ampliado foram em material de construção (-2,8%) e veículos, motocicletas, partes e peças (-2,4%). No varejo restrito, produtos farmacêuticos (-5,1%) e móveis e eletrodomésticos (-0,7%) lideraram os recuos no mês.

Apesar do balanço negativo de dezembro, o último trimestre de 2025 demonstrou alguma resiliência. Alberto Ramos, do Goldman Sachs, sublinhou que o núcleo do varejo cresceu 1,0% no quarto trimestre, com o varejo ampliado registrando sólidos 1,5% de avanço. Economistas como Matheus Pizzani (PicPay) e Leonardo Costa (ASA) explicam que a queda de dezembro foi, em parte, uma reversão do forte aquecimento de vendas em novembro, impulsionado pela Black Friday.

Impacto da política de juros e do mercado de trabalho

A perda de fôlego do consumo no Brasil, especialmente no final de 2025, reflete diretamente as condições de financiamento mais apertadas. Rodolfo Margato, da XP, destacou que a economia sentiu os efeitos da política monetária contracionista. Contudo, o mercado de trabalho robusto e o aumento contínuo da renda real atuaram como “fatores de amortecimento”, garantindo alguma resiliência em setores sensíveis à renda.

Essa dualidade entre renda e crédito é clara nos dados. Sara Paixão, da InvestSmart XP, explicou que produtos de maior valor, como veículos e motocicletas, que dependem mais de financiamento, foram os mais afetados pela taxa de juros elevada. O Bradesco quantificou essa diferença: enquanto o comércio ligado ao crédito caiu 0,8% em 2025, o comércio atrelado à renda avançou 0,5%. A Confederação Nacional do Comércio (CNC) reforçou que o varejo foi “penalizado pelos juros”, travado pela “maior taxa básica em 20 anos”.

Para os próximos meses, o setor projeta um cenário de cautela, com a expectativa de que possíveis incentivos fiscais possam amparar a atividade de varejo, conforme a análise de Alberto Ramos, do Goldman Sachs.

Acompanhe as próximas análises e desdobramentos do setor no Altos News.

Fonte: https://www.infomoney.com.br

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