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Diagnósticos de neurodesenvolvimento em crianças: especialistas questionam aumento

Nos últimos anos, a região tem observado um aumento significativo nos diagnósticos de Transtorno do Espectro Autista (TEA), Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH) e outros transtornos do neurodesenvolvimento em crianças. Essa tendência crescente levanta uma questão crucial entre pais e especialistas locais: estamos realmente testemunhando um aumento na incidência desses transtornos ou […]

Nathanya Moraes

Nos últimos anos, a região tem observado um aumento significativo nos diagnósticos de Transtorno do Espectro Autista (TEA), Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH) e outros transtornos do neurodesenvolvimento em crianças. Essa tendência crescente levanta uma questão crucial entre pais e especialistas locais: estamos realmente testemunhando um aumento na incidência desses transtornos ou a comunidade está apenas mais preparada para identificá-los?

O olhar aprimorado da ciência

De acordo com a psicopedagoga clínica Nathanya Moraes, especialista em neurodesenvolvimento infantil, há dois movimentos cruciais ocorrendo simultaneamente. Por um lado, houve um avanço notável no conhecimento científico. Hoje, profissionais e famílias têm maior acesso a informações e os critérios diagnósticos estão mais refinados, permitindo a identificação precoce de sinais que antes passavam despercebidos. Crianças que, no passado, eram vistas como “desobedientes” ou “desinteressadas” agora recebem avaliações mais precisas e acolhimento adequado.

O risco da pressa em rotular

No entanto, Moraes alerta para o outro lado dessa moeda: a busca por respostas rápidas. Dificuldades pedagógicas, imaturidade emocional e até mesmo o impacto do tempo excessivo de telas podem ser confundidos com transtornos do neurodesenvolvimento. Sem uma avaliação cuidadosa e multidisciplinar, há o risco de rotular crianças indevidamente, ignorando outras necessidades.

É fundamental, segundo a especialista, diferenciar claramente entre dificuldade de aprendizagem, defasagem pedagógica, questões emocionais e os transtornos do neurodesenvolvimento. Uma criança com dificuldade não necessariamente tem um transtorno, mas toda dificuldade exige uma investigação responsável e aprofundada.

O papel da psicopedagogia local

Nesse cenário, a psicopedagogia exerce um papel central. Profissionais da área atuam como ponte entre escolas, famílias e a equipe multiprofissional, auxiliando na compreensão se a criança enfrenta uma questão puramente pedagógica, emocional ou se de fato há um transtorno que exige intervenção especializada. A preocupação real não está no aumento dos diagnósticos em si, mas na pressa em atribuir um rótulo sem a devida compreensão da individualidade de cada criança.

Mais do que um laudo, cada criança precisa de escuta ativa, análise funcional do seu comportamento e estratégias individualizadas que respeitem sua singularidade. O diagnóstico é um passo importante, mas a intervenção adequada e a compreensão profunda do indivíduo são indispensáveis para seu desenvolvimento pleno.

Para pais e educadores na região, a mensagem é clara: a atenção e o cuidado na avaliação são o caminho para garantir o melhor futuro para nossas crianças.

Fonte: https://portalclubenews.com

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