A economia local se prepara para um incremento significativo no varejo a partir do primeiro trimestre de 2026, impulsionado pela isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil. As medidas da Reforma da Renda também incluem descontos para contribuintes com rendimentos de até R$ 7.350, liberando mais renda disponível para uma parcela adicional de 15 milhões a 18 milhões de declarações em todo o país. Essa injeção de recursos deve aquecer o consumo, com um impacto bilionário esperado para o setor.
Impacto direto na economia
Apesar de a liberação mensal ser de R$ 312,89 para quem ganha até R$ 5 mil, o volume de beneficiados é expressivo. “É como dar mais de R$ 300 todo mês para ao menos 15 milhões de pessoas”, explica Tiago Sbardelotto, economista da XP Investimentos. A renda real disponível para as famílias deve crescer 4,5% em 2026, com 0,6% desse aumento diretamente atribuível à isenção e aos descontos no IR. O Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos (Dieese) projeta que o alívio no imposto injetará R$ 26,2 bilhões na economia, sendo R$ 20,9 bilhões destinados aos trabalhadores do setor formal e R$ 5,3 bilhões aos servidores públicos.
Essa dinâmica se justifica pela maior tendência a gastar das famílias de baixa e média renda. Para cada R$ 100 disponibilizados a esse grupo, cerca de R$ 70 são direcionados ao consumo. Em contraste, a maior taxação sobre dividendos de indivíduos de alta renda (acima de R$ 50 mil por mês ou R$ 600 mil anuais) implicará uma retirada de apenas R$ 5 do consumo para cada R$ 100 tributados. O resultado líquido esperado para o varejo é um saldo positivo de R$ 65 a cada R$ 100 movimentados, garantindo um efeito de consumo relevante e positivo já no primeiro semestre de 2026.
Setor imobiliário: efeito moderado
Embora o setor de incorporação imobiliária seja frequentemente apontado como um potencial beneficiário da medida, especialistas relativizam o impacto. A lógica seria a utilização da renda extra para financiamentos, mas o efeito pode não ser tão significativo. Filipe Pontual, diretor executivo da Abecip, menciona um possível efeito positivo em programas como o Minha Casa, Minha Vida, especialmente nas Faixas 2 (renda até R$ 4.700) e 3 (até R$ 8.600). “Pode ser que sobre um pouco mais de recurso para quem se encaixa nesse grupo colocar em uma prestação do programa, que são tradicionalmente mais baixas”, afirmou ao InfoMoney em evento recente. No entanto, ele ressalta que não há medições precisas sobre isso.
Inês Magalhães, vice-presidente de Habitação da Caixa Econômica Federal, sugere cautela, focando na educação financeira para que a isenção se torne investimento, e não apenas consumo impulsivo. Sbardelotto, da XP, corrobora, lembrando que a demanda imobiliária depende de fatores como oferta de crédito e subsídios governamentais, além da simples disponibilidade de renda.
As novas regras do Imposto de Renda, que já devem se refletir nos balanços das varejistas no primeiro trimestre de 2026, prometem um fôlego considerável para o setor de consumo, com um impacto positivo direto na economia local e na renda de milhões de brasileiros.
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Fonte: https://www.infomoney.com.br