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Dívida pública elevada borra limites entre políticas fiscal e monetária, alerta BIS

A crescente dívida pública em diversos países está redefinindo a tradicional separação entre as políticas fiscal e monetária, uma situação que levanta preocupações globais. Um relatório divulgado nesta semana pelo Banco de Compensações Internacionais (BIS) alerta que o alto endividamento pode levar a decisões de juros que impactam diretamente os orçamentos governamentais, elevando o custo […]

Dólares e moedas estrangeiras (Imagem gerada com auxílio IA/Leonardo Albertino

A crescente dívida pública em diversos países está redefinindo a tradicional separação entre as políticas fiscal e monetária, uma situação que levanta preocupações globais. Um relatório divulgado nesta semana pelo Banco de Compensações Internacionais (BIS) alerta que o alto endividamento pode levar a decisões de juros que impactam diretamente os orçamentos governamentais, elevando o custo de combater a inflação e, paradoxalmente, até mesmo amplificando-a.

Segundo os autores do estudo, quando a dívida de um governo é substancial, qualquer aumento na taxa de juros para conter a inflação se traduz imediatamente em maiores despesas com o pagamento de juros da dívida. Isso não só encarece a luta contra a inflação, mas também pode diminuir a eficácia da política monetária, gerando um viés inflacionário persistente, mesmo com a dívida aparentemente controlada do ponto de vista fiscal.

Custo fiscal da inflação e pressão política

A interação complexa entre dívida elevada e choques inflacionários torna mais provável que o limite fiscal se torne um entrave para a política econômica, exacerbando a inflação. Em cenários de recessão movidas pela demanda, a restrição fiscal pode se tornar ainda mais limitante do que o piso zero da taxa de juros, forçando o banco central a adotar medidas extremas, como a impressão de moeda, ou a aceitar a dominância fiscal, onde a política monetária é subordinada às necessidades de financiamento do governo.

A situação nos Estados Unidos serve como um exemplo contundente. O documento do BIS destaca que, no ano fiscal de 2024–2025, as despesas líquidas com juros da dívida federal americana se aproximaram da marca de US$ 1 trilhão. Esse montante absorve quase um quinto de toda a arrecadação federal, superando inclusive os gastos com defesa nacional. Os autores enfatizam que, nesses níveis de endividamento, a política monetária ganha uma influência considerável sobre o espaço fiscal, transformando as decisões sobre taxas de juros em uma preocupação primordial para as autoridades fiscais.

Pressões inflacionárias e limitações

Este cenário crítico surge em um momento de crescentes e persistentes pressões inflacionárias, impulsionadas por fatores como a fragmentação geopolítica e econômica, as mudanças climáticas e as transformações demográficas. Nessas condições, as restrições fiscais à política monetária podem ser particularmente prejudiciais, limitando a capacidade de estabilizar a inflação justamente quando essa estabilização é mais urgente.

A pressão política para afrouxar a política monetária também tem sido uma constante. Durante sua presidência, Donald Trump, por exemplo, insistiu para que o presidente do Federal Reserve, Jerome Powell, reduzisse as taxas de juros, frequentemente justificando que essa medida diminuiria os custos de financiamento do governo.

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Fonte: https://www.infomoney.com.br

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