O cenário fiscal brasileiro volta a acender um sinal de alerta entre os economistas e o mercado financeiro. O déficit fiscal do setor público consolidado superou novamente a marca de 8% do Produto Interno Bruto (PIB), conforme um relatório do Goldman Sachs divulgado após a publicação das estatísticas fiscais pelo Banco Central na última sexta-feira (30). A instituição internacional projeta que esse patamar elevado deve persistir nos próximos anos, atribuindo grande parte da dificuldade a uma percepção de ‘aversão a controlar gastos’ por parte do governo.
Cenário fiscal sob escrutínio
A análise do Goldman Sachs, liderada pelo economista Alberto Ramos, detalha que o déficit fiscal total alcançou 8,34% do PIB, com o resultado primário consolidado registrando um negativo de 0,43% do PIB nos últimos 12 meses. Embora o setor público tenha apresentado um superávit de R$ 6,3 bilhões em dezembro – um valor acima do consenso de mercado –, ele foi inferior ao registrado no mesmo mês do ano anterior. Para os especialistas, essa ‘postura fiscal pró-cíclica’ aliada à falta de um controle de gastos eficaz tem comprometido a credibilidade das metas fiscais. Esse quadro contribui para uma economia superaquecida e um arcabouço fiscal percebido como fraco, elevando os prêmios de risco e dificultando a ancoragem das expectativas de inflação no curto e médio prazos.
Dívida pública em trajetória ascendente
A dívida bruta do governo geral encerrou o ano de 2025 atingindo 78,7% do PIB, um crescimento notável em relação aos 71,7% registrados no fim de 2022. A projeção do banco indica uma continuidade dessa elevação. Se considerado o critério do Fundo Monetário Internacional (FMI), que inclui títulos na carteira do Banco Central, o índice alcança alarmantes 93,4% do PIB. O Goldman Sachs estima que o resultado primário se manterá deficitário, e a única forma de reverter essa tendência da dívida seria com superávits primários superiores a 2% do PIB, um cenário visto como ‘altamente improvável no curto prazo’.
Pressões no mercado de trabalho e Banco Central
O relatório do Goldman Sachs também aborda o mercado de trabalho brasileiro. A taxa de desemprego, em níveis historicamente baixos, combinada com o aumento real dos salários, contribui para pressões de custos, especialmente no setor de serviços, intensivo em mão de obra. Diante desse quadro, a instituição prevê que o Banco Central manterá uma postura cautelosa na calibração da política monetária em um futuro próximo.
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Fonte: https://www.infomoney.com.br