O consumo de café no Brasil registrou uma queda de 2,31% no período de novembro de 2024 a outubro de 2025, alcançando 21,4 milhões de sacas de 60 kg. A retração é atribuída principalmente à alta dos preços, que impactou diretamente o poder de compra dos consumidores brasileiros, conforme dados recentes da Associação Brasileira da Indústria de Café (Abic). O Brasil, segundo maior consumidor global da bebida, atrás apenas dos Estados Unidos, vivenciou em 2025 a primeira diminuição anual no consumo desde 2022, distanciando-se do recorde de 22 milhões de sacas atingido em 2017.
Apesar da retração no consumo, o setor industrial do café no país viu seu faturamento disparar. Impulsionada pelo aumento dos preços da commodity repassados aos consumidores, a receita da indústria brasileira subiu 25,6%, totalizando R$ 46,24 bilhões no último ano, em comparação com o período anterior.
A escalada de preços foi notável no varejo. No Sudeste, o preço médio do café torrado chegou a superar R$ 70 por quilo em julho de 2025, antes de recuar para quase R$ 60 por quilo no final do ano. Ainda assim, esses valores permaneceram acima dos R$ 56,68 registrados em janeiro do ano passado. A Abic explica que a matéria-prima, tanto arábica quanto conilon, teve aumentos expressivos nos últimos cinco anos, 212% e 201% respectivamente, enquanto no varejo o acréscimo foi de 116%.
A elevação dos custos é reflexo de diversos fatores. Problemas de safra no Brasil, maior produtor mundial, e em outras nações, fizeram com que a cotação da matéria-prima no país mais do que dobrasse em 2024. Com isso, a indústria continuou a repassar os preços em 2025 para recompor suas margens, mesmo com um recuo nos valores pagos pelo grão verde ao longo do ano passado, segundo a Abic. A entidade ressaltou que o cenário de preços em 2024 e 2025 foi influenciado por variações climáticas, produção insuficiente e baixos estoques, gerando instabilidade no varejo.
Perspectivas para 2026
Para 2026, a Abic projeta um cenário mais otimista. A expectativa é de uma boa safra e um clima mais estável, fatores que, juntos, poderão favorecer um mercado mais equilibrado. A previsão é de menores variações nos preços do café nas gôndolas, trazendo um alívio para o consumidor e para a cadeia produtiva.
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Fonte: https://www.infomoney.com.br