O mercado acionário chinês vive um momento de profunda dicotomia, onde um “conto de duas economias” redesenha as estratégias de investimento. De um lado, empresas ligadas à manufatura e exportação prosperam, surfando a demanda global. Do outro, companhias focadas no consumo interno enfrentam um cenário de estagnação. Essa clara divisão tem levado investidores a direcionar capital para as forças industriais, deixando setores sensíveis ao comportamento do consumidor em segundo plano.
A força da economia chinesa no último ano foi notavelmente impulsionada por novas forças industriais, garantindo exportações robustas mesmo diante de tarifas. A demanda global por manufatura avançada e infraestrutura de inteligência artificial tem sido um motor. Empresas como China XD Electric, que já subiu 75% no ano, e TBEA, com alta de cerca de 28% no ano, são exemplos claros desse movimento. Bancos como o Morgan Stanley destacam outras como Sany Heavy Industry e Wuxi Lead Intelligent Equipment, observando um bom momento de crescimento nas exportações.
Em contrapartida, o consumo doméstico permanece fraco, impactado pela prolongada crise no setor imobiliário. Ações de empresas como Fuyao Glass Industry Group, que recuam 5,4% no ano, e Great Wall Motor, com queda de 4,6% no ano, refletem essa dificuldade. Estrategistas, como Chaoping Zhu do JPMorgan Asset Management, notam que gestores institucionais preferem focar no tema “going global” em vez da recuperação interna, que ainda gera cautela.
Analistas como William Bratton do BNP Paribas Exane reforçam que “existem duas Chinas muito diferentes neste momento”, com clara preferência por materiais, industriais e tecnologia. Embora Pequim tenha estabelecido a retomada do consumo como prioridade máxima neste ano, o impulso da economia de “duas velocidades” persiste. Projeções de lucro para o índice CSI 300 Industrials subiram 10% nos últimos seis meses, em contraste com apenas 5% para o seu equivalente de consumo.
Min Lan Tan, do UBS Group AG, projeta que a “outperformance do setor industrial vai continuar”, impulsionada pela corrida global da inteligência artificial. Ainda que riscos de reações comerciais se apresentem e as políticas busquem reaquecer o consumo, o impulso das exportações industriais na China se mantém forte. Esta divisão econômica continua a ser o grande vetor do mercado, com analistas de olho em como Pequim equilibrará seus objetivos em um cenário global complexo.
Fonte: https://www.infomoney.com.br