Entenda o que puxou a saída de dólares do país
A significativa saída de dólares de US$ 8,41 bilhões registrada pelo Brasil em dezembro foi puxada, de forma contundente, por movimentos no chamado canal financeiro. Este segmento crucial do fluxo cambial apresentou uma saída líquida expressiva de US$ 15,047 bilhões até o dia 26 do mês, evidenciando uma tendência de retirada de capital estrangeiro que dominou o cenário econômico local.
Mas o que exatamente compõe esse "canal financeiro" que tanto impactou o balanço do país? Ele engloba uma série de operações vitais para a economia, como os investimentos estrangeiros diretos — quando empresas de fora aplicam recursos no Brasil para construir fábricas, expandir negócios ou adquirir companhias existentes. Inclui também os investimentos em carteira, que são aplicações em ações de empresas listadas na bolsa e em títulos do governo federal. Além disso, este canal contabiliza as remessas de lucro de multinacionais operando aqui para suas matrizes no exterior e o pagamento de juros de dívidas externas. Em dezembro, a soma dessas operações resultou em um volume consideravelmente maior de dólares saindo do que entrando por essas vias.
Em contrapartida a essa forte saída, o canal comercial — que reflete a balança entre exportações e importações de bens e serviços do Brasil — teve um desempenho positivo. No mesmo período de dezembro, o comércio registrou um saldo favorável de US$ 6,637 bilhões. Nossas exportações, que totalizaram US$ 25,060 bilhões, superaram as importações de US$ 18,423 bilhões, injetando dólares na economia. Contudo, essa entrada de divisas gerada pelo bom desempenho do comércio exterior não foi suficiente para compensar a expressiva e dominante saída pelo canal financeiro.
A predominância do fluxo negativo no segmento financeiro sugere uma menor atratividade momentânea para novos investimentos diretos ou em carteira, ou uma maior necessidade de retirada de capital já existente, seja por decisão estratégica de investidores ou pela obrigação de remeter lucros e pagar compromissos financeiros. Esse cenário reforça a importância de monitorar a percepção dos investidores internacionais sobre a saúde econômica do Brasil e as condições macroeconômicas que influenciam diretamente essas decisões de alocação de capital.
Canal financeiro impulsiona a saída de recursos
O Brasil enfrentou um expressivo revés financeiro em dezembro, com o canal financeiro emergindo como o principal motor por trás da saída de US$ 8,41 bilhões em recursos do país. Até o dia 26 daquele mês, este segmento sozinho registrou uma saída líquida de impressionantes US$ 15,047 bilhões. Essa dinâmica reflete um cenário onde a demanda por moeda estrangeira supera a oferta em operações cruciais para a economia, englobando desde investimentos até a movimentação de lucros e dividendos.
Aprofundando os dados do Banco Central, percebe-se que, no acumulado de dezembro até o dia 26, as entradas de capital via canal financeiro totalizaram US$ 61,796 bilhões. No entanto, as saídas foram substancialmente maiores, atingindo US$ 76,843 bilhões. Essa diferença significativa de US$ 15,047 bilhões, em que os pagamentos ao exterior superaram os recebimentos, ilustra a pressão sobre as reservas e sobre a taxa de câmbio que o país tem sentido, impactando diretamente o poder de compra e o custo de importação para empresas e consumidores.
O canal financeiro não é um bloco monolítico, mas um conjunto de operações de grande relevância. Ele abarca os investimentos estrangeiros diretos (IED), que são recursos aplicados diretamente em empresas e projetos no Brasil, e os investimentos em carteira, que se referem a aplicações em títulos e ações. Além disso, inclui as remessas de lucro e pagamento de juros para o exterior, assim como operações de empréstimos e amortizações. A saída expressiva de recursos nesse canal sinaliza uma possível diminuição do apetite por investimentos no Brasil ou um aumento na repatriação de ganhos por parte de estrangeiros.
O comportamento desfavorável se acentuou na última semana de dezembro, entre os dias 22 e 26, quando o canal financeiro viu uma saída líquida de US$ 5,816 bilhões. Neste período, as entradas totalizaram US$ 13,597 bilhões, mas foram ofuscadas por saídas que somaram US$ 19,413 bilhões. Essa persistência na saída de capital financeiro no fim do ano é um alerta, merecendo atenção das autoridades econômicas e dos agentes de mercado para os primeiros meses de 2024.
Comércio exterior ameniza impacto negativo
Apesar do cenário de saída de capital que marcou dezembro, o setor de comércio exterior desempenhou um papel crucial ao atenuar o impacto negativo no fluxo cambial brasileiro. Graças a um saldo comercial robusto, o país conseguiu evitar um déficit ainda mais profundo, demonstrando a resiliência de suas trocas internacionais e a importância da balança comercial para a estabilidade econômica em momentos de volatilidade no canal financeiro.
Até o dia 26 de dezembro, o balanço comercial registrou um superávit significativo de US$ 6,637 bilhões. Esse número é o resultado de exportações que totalizaram US$ 25,060 bilhões, superando de forma expressiva as importações, que somaram US$ 18,423 bilhões. A performance exportadora, impulsionada por diversas frentes, como adiantamentos de contrato de câmbio (ACC) e pagamentos antecipados (PA), injetou dólares na economia, compensando parcialmente a saída de recursos do canal financeiro.
Somente na última semana do período analisado, entre 22 e 26 de dezembro, o canal comercial já havia demonstrado sua força, com uma entrada líquida de US$ 770 milhões. As exportações naquele curto intervalo atingiram US$ 4,923 bilhões, contra US$ 4,154 bilhões em importações. Essa injeção contínua de divisa estrangeira, proveniente da venda de produtos brasileiros no exterior, foi fundamental para segurar a sangria de dólares que predominou no mercado financeiro, cujo canal registrou uma saída líquida de US$ 15,047 bilhões no mês.
Última semana de dezembro também registra saldo negativo
A performance negativa do fluxo cambial, que levou o Brasil a registrar um déficit de US$ 8,41 bilhões em dezembro, foi acentuada nos últimos dias do ano. Entre os dias 22 e 26 de dezembro, a saída de recursos do país manteve-se em ritmo preocupante, com um saldo negativo de US$ 5,047 bilhões. Este período, crucial para o fechamento do ano fiscal, reforçou a tendência de drenagem de dólares que marcou o mês.
O principal vetor para esse desempenho foi o canal financeiro. Somente na última semana de dezembro, este segmento, que engloba desde investimentos estrangeiros diretos e em carteira até remessas de lucro e pagamentos de juros, registrou uma saída líquida expressiva de US$ 5,816 bilhões. A desconfiança ou a busca por maior rentabilidade fora do país por parte dos investidores contribuíram para que as vendas de moeda estrangeira superassem largamente as compras neste período.
Em contraste, o canal comercial apresentou um fôlego, com um saldo positivo de US$ 770 milhões na mesma semana. As exportações brasileiras, que totalizaram US$ 4,923 bilhões, conseguiram superar as importações, que somaram US$ 4,154 bilhões. Contudo, essa injeção de recursos via comércio exterior não foi suficiente para compensar a robusta saída de capitais pelo canal financeiro, consolidando o período com um déficit que contribui para o quadro desafiador da balança cambial brasileira.
Fonte: https://www.infomoney.com.br