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Falta de água paralisa hemodiálise de 90 pacientes em Parnaíba, Piauí

A cidade de Parnaíba, no litoral do Piauí, enfrentou uma grave crise de saúde pública nesta semana com a suspensão dos atendimentos de hemodiálise para mais de 90 pacientes. O serviço vital, oferecido por uma clínica local, foi interrompido devido à falta de água que se estendeu por mais de 24 horas, iniciando na manhã […]

G1

A cidade de Parnaíba, no litoral do Piauí, enfrentou uma grave crise de saúde pública nesta semana com a suspensão dos atendimentos de hemodiálise para mais de 90 pacientes. O serviço vital, oferecido por uma clínica local, foi interrompido devido à falta de água que se estendeu por mais de 24 horas, iniciando na manhã de terça-feira (23). A interrupção gerou grande preocupação, uma vez que o tratamento de hemodiálise é essencial e não pode ser adiado para garantir a qualidade de vida e a sobrevivência de pessoas com insuficiência renal crônica. A situação expôs as fragilidades na infraestrutura de serviços básicos e a dependência crítica entre o fornecimento de energia, água e a continuidade de procedimentos médicos urgentes. Tanto a clínica quanto a concessionária responsável pelo abastecimento de água apresentaram suas versões e ações diante do impasse.

Impacto crítico na saúde dos pacientes

A interrupção súbita dos serviços de hemodiálise em Parnaíba representou uma ameaça direta à vida de dezenas de pacientes que dependem desse tratamento para a filtragem do sangue e eliminação de toxinas, funções vitais que seus rins comprometidos não conseguem realizar. A clínica, responsável por esses atendimentos, enfatizou a impossibilidade de adiar as sessões, dado o risco iminente à saúde dos enfermos. A hemodiálise é um procedimento contínuo, geralmente realizado várias vezes por semana, e qualquer atraso pode levar a complicações sérias, como acúmulo de líquidos, desequilíbrio eletrolítico e falência de outros órgãos.

A interrupção e a urgência do tratamento

A suspensão, que se prolongou por mais de um dia, a partir da manhã da última terça-feira (23), deixou aproximadamente 90 indivíduos em uma situação de extrema vulnerabilidade. Para esses pacientes, a regularidade da hemodiálise não é uma opção, mas uma necessidade inadiável para a manutenção da vida. A unidade de saúde esclareceu que, apesar dos contatos com a empresa responsável pelo abastecimento de água, as informações sobre uma regularização gradual não eram suficientes, pois “o paciente não pode esperar, a diálise não pode esperar”. Esta declaração sublinha a natureza urgente e inegociável do tratamento, evidenciando a gravidade do desabastecimento em um setor tão sensível como a saúde. A falta de água impede a operação das máquinas de diálise, que utilizam grandes volumes de água purificada em seus processos.

Posições divergentes e tentativas de solução

Diante da crise, as partes envolvidas apresentaram suas respectivas justificativas e as ações tomadas para mitigar o problema. A dinâmica entre a clínica e a concessionária de água revelou um impasse crucial em relação às soluções propostas e aceitas durante o período crítico.

A versão da empresa Águas do Piauí e as medidas de emergência

A concessionária Águas do Piauí manifestou-se por meio de nota, atribuindo a falta de água em Parnaíba, a partir de 23 de dezembro, a uma “instabilidade prolongada no fornecimento de energia elétrica”, que teria sido identificada na madrugada do mesmo dia. Segundo a empresa, as oscilações elétricas comprometeram sistemas essenciais para a captação, tratamento e bombeamento de água, resultando em interrupções temporárias no abastecimento em diversas áreas da cidade.

Em reconhecimento à criticidade dos serviços prestados pela Clínica de Nefrologia e Hemodiálise de Parnaíba (UNIRIM), a concessionária afirmou ter disponibilizado “de forma imediata” um serviço de carro-pipa com água potável. A empresa garantiu que a água fornecida atenderia rigorosamente a todos os padrões de potabilidade exigidos pelos órgãos reguladores. No entanto, a Águas do Piauí informou que a oferta do serviço foi recusada pela clínica. Não foram divulgados os motivos da recusa pela clínica, mas a situação ressalta a complexidade de se encontrar soluções rápidas e eficazes em momentos de emergência.

Como medida preventiva para períodos de maior consumo e recorrência de oscilações elétricas, a Águas do Piauí detalhou a execução da “Operação Águas no Litoral”. Esta operação envolve o uso de 12 geradores de energia, que atuam preventivamente nas noites dos dias 24 e 31 de dezembro em pontos estratégicos, como estações de captação e tratamento de água, visando garantir a continuidade das operações. Adicionalmente, a operação inclui iniciativas para ampliar a produção de água em até 140 mil litros por hora e aumentar a capacidade de reservação em cerca de 1 milhão de litros, além do reforço das equipes de plantão para atuação imediata em situações emergenciais.

Para esclarecer dúvidas e atender às demandas da população, a concessionária informou que mantém canais oficiais de atendimento operando 24 horas por dia, todos os dias da semana, por meio do número 0800 223 2000 (disponível para ligações e mensagens via WhatsApp) e do aplicativo Águas App.

Desafios e a busca por estabilidade no litoral

A interrupção dos tratamentos de hemodiálise em Parnaíba expôs a intrínseca dependência de serviços essenciais, como saúde, energia e água. O incidente sublinha a vulnerabilidade de pacientes que dependem de tecnologias avançadas para a manutenção da vida e a necessidade crítica de uma infraestrutura robusta e resiliente. Enquanto a concessionária de água alega ter proposto soluções e implementado planos preventivos, a clínica reforça a urgência irrestrita do tratamento, que não comporta atrasos ou interrupções. Este episódio não apenas levanta questões sobre a coordenação e comunicação entre prestadores de serviços essenciais e instituições de saúde, mas também ressalta o imperativo de investimentos contínuos em sistemas de abastecimento e energia, especialmente em regiões de alta demanda e vulnerabilidade a intercorrências, como o litoral do Piauí. A garantia de acesso ininterrupto a serviços básicos é fundamental para a segurança e bem-estar da população, especialmente daqueles em condições de saúde mais delicadas.

Perguntas frequentes (FAQ)

Qual foi a causa principal da suspensão dos atendimentos de hemodiálise em Parnaíba?
A empresa Águas do Piauí informou que a falta de água, que levou à suspensão, foi causada por uma instabilidade prolongada no fornecimento de energia elétrica, que afetou os sistemas de captação, tratamento e bombeamento de água na cidade.

Quantos pacientes foram diretamente afetados pela interrupção do serviço de hemodiálise?
Mais de 90 pacientes tiveram seus atendimentos de hemodiálise suspensos devido à falta de água na clínica em Parnaíba.

Quais medidas a Águas do Piauí afirmou ter tomado para tentar resolver a situação na clínica?
A concessionária informou ter disponibilizado um serviço de carro-pipa com água potável à clínica, mas esta oferta foi recusada. Além disso, a empresa detalhou a “Operação Águas no Litoral”, que inclui o uso de geradores, ampliação da produção de água e reforço de equipes.

Por que a clínica de hemodiálise recusou a oferta de carro-pipa, segundo a Águas do Piauí?
A concessionária afirmou que a oferta foi recusada pela clínica, porém, a clínica não divulgou os motivos específicos para a recusa. A prioridade da clínica era a regularização gradual do abastecimento e a impossibilidade de adiamento do tratamento vital.

Mantenha-se informado sobre a infraestrutura e os serviços essenciais em sua região.

Fonte: https://g1.globo.com

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