A jornada da atleta paralímpica Raissa Machado é um testemunho vívido da resiliência humana e do poder transformador do esporte. Nascida com má-formação congênita nos membros inferiores, Raissa enfrentou, desde a infância, sentimentos de medo e rejeição, que moldaram sua percepção sobre si mesma e sobre o mundo. No entanto, através de uma mistura de determinação pessoal, apoio familiar inabalável e a descoberta do atletismo, ela não apenas superou esses obstáculos, mas ascendeu ao patamar de recordista mundial no lançamento de dardo e medalhista paralímpica. Sua história inspira, mostrando que as maiores transformações podem emergir dos desafios mais profundos, culminando em conquistas que transcendem o campo esportivo.
A jornada de superação: da rejeição ao atletismo
Os primeiros desafios e o papel da família
Desde tenra idade, Raissa Machado confrontou uma realidade desafiadora devido à sua má-formação congênita nos membros inferiores. Essa condição, que para muitos seria um impedimento, tornou-se o catalisador de um profundo processo de autodescoberta. “Eu sempre colocava defeito na minha deficiência, nas minhas pernas, na minha cor, no meu cabelo. A rejeição era muito forte”, relembra a atleta, expressando os sentimentos que a acompanhavam. Crescendo na Bahia e posteriormente em Minas Gerais, Raissa encontrava na fé inabalável de sua mãe um porto seguro. A mãe, visionária e determinada, não almejava apenas a aceitação da filha, mas que ela vivesse plenamente, transcendendo as limitações físicas. “Ela só queria que eu saísse de casa, queria que eu vivesse”, conta Raissa, destacando que nem sua própria mãe poderia imaginar o destino glorioso que aguardava a filha no universo esportivo. Curiosamente, o esporte não estava nos planos iniciais de Raissa, que sonhava em seguir a carreira jurídica e tornar-se delegada, um caminho que parecia distante das pistas de atletismo.
A descoberta do potencial atlético
A virada na vida de Raissa ocorreu por meio da perspicácia de professores de educação física, que enxergaram nela um potencial atlético extraordinário, muito além de qualquer limitação física. Inicialmente, seu interesse pendeu para a ginástica e a dança, inspirada por ícones como Daiane dos Santos, explorando movimentos e ritmos que a conectavam com seu corpo de uma nova maneira. Contudo, foi no atletismo paralímpico que Raissa encontraria sua verdadeira vocação. A introdução ao lançamento de dardo surgiu quase por acaso. Seu treinador, observando um “brilho especial” e uma força latente, persistiu em incentivá-la, mesmo diante de uma relutância inicial. Aos poucos, Raissa começou a perceber que suas pernas, antes vistas como imperfeições, eram ferramentas poderosas que a impulsionavam. Essa transição marcou o início de uma jornada que a levaria de uma jovem hesitante a uma atleta de elite, redefinindo completamente sua percepção sobre si mesma e sobre o que era capaz de alcançar.
O baque de Rio 2016 e a resiliência para o recorde mundial
A frustração e a redescoberta da força interior
A trajetória de Raissa, embora ascendente, foi pontuada por momentos de profunda frustração, notadamente após os Jogos Paralímpicos Rio 2016. Acostumada a conquistar pódios, a sexta colocação naquele evento foi um golpe inesperado. “Eu sempre subia no pódio, mas naquele ano fiquei em sexto lugar. Foi um baque, chorei muito, queria desistir”, desabafa a atleta, revelando a intensidade da decepção e a vontade de abandonar tudo. O peso da expectativa e a dor da derrota quase a fizeram desistir do esporte que tanto amava. No entanto, foi nesse ponto crítico que o inestimável apoio da família, especialmente de sua mãe, e a insistência de seus treinadores se mostraram cruciais. Essa rede de suporte a ajudou a canalizar a frustração em motivação, impulsionando-a a um “processo de reconciliação consigo mesma”. Aprender a confiar novamente em seu talento e na dedicação ao seu trabalho foi um passo fundamental para a sua recuperação e para o fortalecimento de sua força interior.
O caminho para o estrelato e o apoio institucional
A resiliência de Raissa foi recompensada com um novo capítulo em sua carreira. O Comitê Paralímpico Brasileiro (CPB), atento ao seu potencial, estendeu a mão, incluindo-a em seus projetos e oferecendo o suporte financeiro e motivacional necessário para sua retomada. Esse apoio institucional foi um divisor de águas, permitindo que a atleta se dedicasse integralmente aos treinos e ao aprimoramento de suas técnicas. Para Raissa, sua inabalável força de vontade e disciplina férrea foram os pilares essenciais para reassumir o caminho do sucesso. Seus resultados não demoraram a aparecer: após aprimorar seu lançamento de dardo, que inicialmente era de 15 metros, ela quase quebrou o recorde das Américas de 21,20 metros, alcançando 21,11 metros. A consagração veio em março de 2022, na primeira fase do Circuito Nacional Paralímpico de Atletismo, em São Paulo, quando Raissa estabeleceu um novo e impressionante recorde mundial do lançamento de dardo, com a marca de 24,80 metros. Além disso, ela já ostenta a medalha de prata nos Jogos Paralímpicos de Tóquio 2020, consolidando seu lugar entre as maiores atletas de sua modalidade.
O futuro dourado: mente, corpo e a busca pela excelência
A importância da saúde mental no alto rendimento
Atualmente, Raissa Machado demonstra uma compreensão profunda sobre a interconexão entre o bem-estar físico e mental, uma lição aprendida em sua jornada de superação. Para a atleta de alto rendimento, a saúde mental não é apenas um complemento, mas um pilar essencial para o desempenho máximo. Ela enfatiza essa filosofia com uma clareza notável: “A mente é 100% e o corpo 50%”. Essa perspectiva sublinha que a preparação psicológica é tão, ou talvez mais, crucial que o treinamento físico exaustivo. A confiança em sua mente e no seu equilíbrio emocional é o que a impulsiona. “Se eu chegar com a cabeça a 99%, estarei pronta”, afirma, mostrando que a excelência no esporte paralímpico moderno exige não apenas músculos fortes, mas uma mente inquebrável, capaz de suportar a pressão, as expectativas e os desafios inerentes à alta competição. Essa abordagem holística a prepara para os próximos desafios, com a certeza de que está integralmente pronta para competir ao mais alto nível.
Inspiração e embaixadora do esporte paralímpico
Além de suas conquistas notáveis nas pistas, Raissa Machado transcendeu o papel de atleta para se tornar uma verdadeira embaixadora do esporte paralímpico. Sua história de superação e dedicação ressoa profundamente, transformando não apenas a vida de sua família – sua mãe e irmãos – mas também inspirando inúmeras pessoas ao seu redor. Sua capacidade de comunicar a importância de acreditar em si mesmo e de perseguir os sonhos, independentemente das adversidades, a coloca em uma posição única de influência. Como figura pública e exemplo de resiliência, Raissa utiliza sua plataforma para destacar o potencial do esporte como ferramenta de inclusão e empoderamento. Com o olhar já voltado para futuras competições, incluindo os Jogos de Paris 2024, a atleta busca incansavelmente a medalha de ouro. Confiante em seu preparo físico e emocional, Raissa Machado continua a ser uma força inspiradora, quebrando barreiras e mostrando ao mundo o verdadeiro significado da vitória.
Perguntas frequentes sobre a jornada de Raissa Machado
1. Qual a principal mensagem da história de Raissa Machado?
A história de Raissa Machado é um poderoso exemplo de superação, resiliência e da capacidade do esporte de transformar vidas. Ela mostra que é possível vencer medos, rejeições e limitações físicas para alcançar o sucesso e inspirar outras pessoas.
2. Como o esporte impactou a vida de Raissa Machado?
O esporte impactou a vida de Raissa de forma integral, ajudando-a a superar a auto-rejeição, a construir autoconfiança e a encontrar um propósito. Ele a levou a se tornar uma atleta de elite, recordista mundial e embaixadora, impactando positivamente sua família e a sociedade.
3. Quais foram os principais desafios enfrentados por Raissa Machado?
Raissa enfrentou desafios como a má-formação congênita nos membros inferiores desde a infância, sentimentos de medo e rejeição, e a frustração de um desempenho abaixo do esperado nos Jogos Paralímpicos Rio 2016, que quase a fez desistir da carreira.
4. Quais os maiores feitos de Raissa Machado no atletismo?
Entre os maiores feitos de Raissa Machado estão a medalha de prata nos Jogos Paralímpicos de Tóquio 2020 e o estabelecimento do recorde mundial no lançamento de dardo, com a marca de 24,80 metros, alcançado em março de 2022.
Acompanhe a trajetória de atletas como Raissa Machado e inspire-se na força do esporte paralímpico para transformar vidas e redefinir o que é possível.
Fonte: https://www.infomoney.com.br