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Apresentador da Globo corrige repórter sobre nome social de mulher trans

Na última segunda-feira, 8 de agosto, um episódio marcante no Jornal da Manhã, da TV Bahia, afiliada da Globo, chamou a atenção para a importância do respeito à identidade de gênero e à terminologia correta no jornalismo. O apresentador Ricardo Ishmael interveio ao vivo para corrigir o repórter Carlos Augusto, que, ao noticiar o assassinato […]

Jorge Cardoso

Na última segunda-feira, 8 de agosto, um episódio marcante no Jornal da Manhã, da TV Bahia, afiliada da Globo, chamou a atenção para a importância do respeito à identidade de gênero e à terminologia correta no jornalismo. O apresentador Ricardo Ishmael interveio ao vivo para corrigir o repórter Carlos Augusto, que, ao noticiar o assassinato de uma mulher trans de 18 anos, Rhianna, utilizou o nome de registro civil da vítima, e não seu nome social. A correção de Ishmael não apenas reforçou a necessidade de aderir ao nome social, mas também destacou a contundente realidade da violência transfóbica no Brasil, gerando ampla repercussão nas redes sociais e reabrindo o debate sobre a responsabilidade da mídia.

A correção ao vivo e o respeito ao nome social

O momento da intervenção ocorreu enquanto o repórter Carlos Augusto cobria a trágica morte de Rhianna, uma jovem trans assassinada no interior do estado. Durante sua participação, o repórter mencionou o nome de registro da vítima, acrescentando que ela era “conhecida na cidade pelo prenome de Rhianna”, o que denota uma minimização ou falta de entendimento sobre a prioridade do nome social. Ao retornar para o estúdio, o âncora Ricardo Ishmael, com postura firme e educativa, iniciou sua fala reforçando a identidade da jovem e a conduta jornalística esperada para casos envolvendo pessoas trans.

“A gente se refere a ela pelo nome social, Rhianna. Desde que se assume a identidade trans, morre o nome de batismo”, explicou Ishmael, de forma didática, mas incisiva. A declaração do apresentador da Globo não se limitou a uma simples correção, mas se aprofundou na questão ética e de direitos humanos. Ele ressaltou que a insistência em usar o nome de batismo de uma pessoa trans, especialmente após sua morte, é mais uma forma de violência contra indivíduos que já são brutalmente agredidos e marginalizados pela sociedade diariamente.

A importância do nome social na imprensa

A atitude de Ricardo Ishmael sublinha um ponto crucial para a prática jornalística contemporânea: a obrigatoriedade de se referir às pessoas trans pelo seu nome social. O nome social é o nome pelo qual a pessoa travesti ou transexual é reconhecida em sua comunidade e em sua vida social, refletindo sua identidade de gênero. Negar ou ignorar o nome social de uma pessoa é desrespeitar sua identidade, seu direito à dignidade e pode ser percebido como um ato de violência simbólica, especialmente no contexto da morte de uma mulher trans.

Para a imprensa, que tem um papel fundamental na formação da opinião pública e na promoção de uma sociedade mais justa e inclusiva, a adoção do nome social não é apenas uma questão de correção terminológica, mas um imperativo ético. Jornalistas e veículos de comunicação devem estar atentos para evitar a revitimização e a perpetuação de preconceitos, utilizando a linguagem de forma responsável e empática. A correção ao vivo de Ishmael serve como um importante lembrete para todos os profissionais da mídia sobre a necessidade de educação contínua e sensibilidade ao lidar com a comunidade LGBTQIA+.

A violência transfóbica no Brasil e a atuação policial

Além de educar sobre o uso do nome social, Ricardo Ishmael utilizou o espaço para lançar uma crítica contundente à persistente violência contra pessoas trans no Brasil. Ele mencionou dados alarmantes da Associação Nacional de Travestis e Transexuais (ANTRA), que consistentemente apontam o país como o que mais mata pessoas trans no mundo. Esta estatística sombria ressalta a vulnerabilidade extrema dessa população e a urgência de políticas públicas e de uma mudança cultural profunda para combater o preconceito e a discriminação.

O apresentador da Globo também direcionou seu questionamento à atuação da polícia no caso de Rhianna. O assassino confesso, Sérgio Henrique Lima dos Santos, de 19 anos, levou o corpo da vítima à delegacia, alegou legítima defesa e, de forma surpreendente, foi liberado. A rapidez e as circunstâncias dessa liberação geraram grande indignação e levantaram sérias dúvidas sobre a imparcialidade e a eficácia do sistema de justiça criminal, especialmente em casos que envolvem vítimas trans.

Dados alarmantes e a impunidade questionada

Os dados da ANTRA são um grito de alerta para a sociedade brasileira. A alta taxa de assassinatos de pessoas trans reflete não apenas a transfobia enraizada, mas também a impunidade que frequentemente cerca esses crimes. Em muitos casos, a violência contra pessoas trans é tratada com descaso pelas autoridades ou é erroneamente enquadrada, dificultando a devida punição dos agressores. A situação de Rhianna, onde um assassino confesso é liberado sob alegação de legítima defesa, expõe as fragilidades e os possíveis vieses do sistema judicial.

Ishmael, ao questionar publicamente: “É esse o praxe, o protocolo? É assim que se age diante de um caso como esse, tão grave, de transfobia?”, vocalizou a indignação de muitos. Sua pergunta reverberou a necessidade de que as autoridades policiais e judiciais atuem com rigor e sensibilidade, investigando a fundo crimes de ódio e garantindo que a justiça seja feita, independentemente da identidade de gênero da vítima. A impunidade nesses casos não só perpetua o ciclo de violência, mas também mina a confiança da comunidade trans nas instituições que deveriam protegê-los.

Conclusão

O incidente na TV Bahia, com a intervenção firme e educativa de Ricardo Ishmael, transcendeu a esfera de uma simples correção televisiva. Ele se tornou um momento catalisador para a reflexão sobre a responsabilidade do jornalismo em promover o respeito e a inclusão, ao mesmo tempo em que trouxe à tona a alarmante realidade da violência transfóbica e a questionável atuação do sistema de justiça no Brasil. Ao defender o uso do nome social e ao interrogar a impunidade, Ishmael não apenas cumpriu seu papel como jornalista, mas também reforçou a necessidade de uma sociedade mais empática, justa e consciente dos direitos e da dignidade de todas as pessoas, independentemente de sua identidade de gênero. Este episódio serve como um poderoso lembrete de que a linguagem e a forma como noticiamos a vida e a morte de pessoas trans têm um impacto profundo na luta por um mundo mais igualitário e livre de preconceitos.

FAQ

O que é nome social e por que é importante?
Nome social é o nome pelo qual pessoas travestis e transexuais preferem ser chamadas, e que reflete sua identidade de gênero. É fundamental porque o uso do nome social afirma a identidade da pessoa, garante seu direito à dignidade e ao reconhecimento social, e combate a violência simbólica e a marginalização.

Qual a relevância da correção de Ricardo Ishmael para o jornalismo?
A correção de Ricardo Ishmael é relevante porque estabelece um padrão ético para o jornalismo, reiterando a importância de se referir às pessoas trans pelo seu nome social. Ela demonstra que a mídia tem um papel crucial na educação da sociedade, na desconstrução de preconceitos e na promoção de uma linguagem inclusiva e respeitosa, evitando a revitimização de indivíduos já vulneráveis.

O Brasil é realmente o país que mais mata pessoas trans no mundo?
Sim, de acordo com dados da Associação Nacional de Travestis e Transexuais (ANTRA), o Brasil figura consistentemente como o país que mais registra assassinatos de pessoas trans. Essa estatística alarmante reflete a profunda transfobia estrutural e a falta de proteção e reconhecimento que a comunidade trans enfrenta no país.

Para aprofundar seu conhecimento sobre o tema e entender como a mídia pode ser um vetor de inclusão, continue acompanhando as discussões e iniciativas que promovem o respeito às identidades trans.

Fonte: https://www.tvpop.com.br

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