Por décadas, o minimalismo e o maximalismo têm coexistido como faces opostas no design de interiores. O minimalismo, surgido na década de 1960, buscava uma linguagem universal através de paletas neutras e formas simples, abraçando a filosofia do “menos é mais”. Em contrapartida, o maximalismo celebra a liberdade criativa, a personalização dos espaços e a combinação de elementos inesperados.
Nos últimos anos, o minimalismo se consolidou como sinônimo de sofisticação na arquitetura e design de interiores. No entanto, sinais de saturação começaram a surgir à medida que a estética asséptica e controlada deixava de atender à necessidade humana por ambientes acolhedores, ricos em história e identidade. Para alguns, o minimalismo resultou em espaços monótonos e impessoais.
Nesse cenário, o maximalismo ressurge, exaltando a abundância, a cor, a textura e, acima de tudo, a expressão individual. Essa mistura exige um equilíbrio cuidadoso e sensibilidade estética. A chave reside na criação de pontos focais, na coordenação de paletas de cores e no estabelecimento de uma harmonia entre os elementos. Quando bem executado, o resultado é um ambiente sofisticado, acolhedor, audacioso e único.
Cores vibrantes, como vermelho cereja, verde musgo, roxo e azul profundo, que ganharam destaque no Salone del Mobile de Milão 2025, invadem paredes, móveis e até tetos, criando atmosferas envolventes e energéticas. A combinação de estampas variadas – florais, geométricas, listras, poás – em papéis de parede, tecidos e murais se torna uma forma de expressão de criatividade e personalidade. As texturas também ganham importância, com o uso de veludo, linho, fibras naturais e metais, adicionando diversidade tátil e visual aos espaços.
No Brasil, o maximalismo se manifesta através da valorização do artesanato e da produção local. A conexão com técnicas manuais, peças únicas e arte popular brasileira não apenas confere beleza estética aos projetos, mas também promove uma consciência cultural e sustentável.
O maximalismo, portanto, transcende um mero estilo de arquitetura e interiores, refletindo uma profunda mudança cultural na forma como desejamos habitar nossos espaços. O seu ressurgimento pode ser interpretado como um reflexo da transformação da mentalidade das pessoas após a pandemia. Após períodos de isolamento e monotonia, há um anseio por espaços que celebrem a vida, e o maximalismo responde a essa necessidade.
Embora o maximalismo se apresente como uma tendência forte para 2026, o minimalismo não desaparecerá. Ambos os estilos continuarão a coexistir, não em oposição, mas como caminhos distintos que ocasionalmente se cruzam. A beleza reside na diversidade, e a escolha entre os dois estilos dependerá do espírito de quem habitará o espaço.
Fonte: portalclubenews.com